Bem - Vindo

A ARPCA agradece a sua visita!

Contactos


E-mail: arpcaminha@gmail.com

Telemóvel: 925935946

domingo, 4 de maio de 2014

Mãe: Uma Dádiva Divina


Todos os dias do ano, das nossas vidas e da história, serão sempre muito poucos para enaltecer e homenagear as múltiplas e profundas dimensões da mulher porque, paulatinamente, com o decorrer dos séculos, a sua influência benéfica tem vindo a fazer-se sentir, bem como o desejo para que ela se posicione no lugar, a que por mérito próprio, tem direito no seio da sociedade, é cada vez mais evidenciado, principalmente por todos aqueles que, sem preconceitos, com toda a humildade e gratidão, reconhecem a insubstituabilidade daquele ser humano maravilhoso.
A Mulher vem assumindo, com espírito de tolerância, também de firmeza, a posição merecida de, em todos os domínios, estar ao lado do Homem, partilhando valores, sentimentos, emoções e funções profissionais, numa sociedade muito exigente, extremamente competitiva, todavia ainda muito dominada por um certo setor masculino que, receando perder prerrogativas, continua, de forma muito sub-reptícia, algo velada e envergonhada, a conceber normas jurídico-legais, para controlar os sistemas: político, religioso, empresarial e ainda familiar, em muitos lares, para evitar a justa ascensão da Mulher.
Entre as muitas e sublimes dimensões que a Mulher assume na sociedade, provavelmente a sua condição de Mãe (quando realmente o deseja e consegue) será, porventura, o seu, ou pelo menos, um dos seus expoentes máximos, porque para além das inúmeras tarefas, difíceis e, quantas vezes, incompreendidas, que quase sempre tem de desempenhar, ela é a única pessoa a poder atingir tão grande felicidade: gerar e dar à luz um filho, com sofrimento, alegria e amor, mas também como resultado da sua entrega generosa a um homem que igualmente ama (ou já amou). Impossível igualar uma relação tão profunda.
Ser Mãe em toda a sua plenitude de Mulher, verdadeiramente humana, em todo o seu esplendor, é uma condição que algum outro ser poderá igualar ou substituir porque, em bora verdade, não só a constituição biológica como a sensibilidade sentimental, são caraterísticas que existem genuinamente na Mulher e, além disso, ela comporta uma intuição muito apurada para a proteção do/s seu/s filho/s, tornando-se pouco credível que ela possa ser substituída a partir da conceção e aplicação de leis.
Importa refletir: positivamente, sobre a importância, que em nossos dias, significa ter Mãe; interessa meditar, profundamente, no contributo que a Mulher-Mãe dá à humanidade, no sentido da criação, educação e formação que ela proporciona aos sues filhos, em vista da necessidade de uma sociedade equilibrada: em princípios, valores, sentimentos, emoções e desenvolvimento harmonioso da pessoa humana.
Mas também é necessário que se valorize, se proteja e se concedam às Mulheres condições para que elas possam exercer o seu papel maior, que é ser Mãe porque, afinal, a Mãe é, por um conjunto de qualidades, capacidades, virtudes, valores e sentimentos, o centro da família, a moderadora, a protetora, a administradora, a educadora, a apaziguadora, a única que, paciente e generosamente, sabe escutar, harmonizar posições dos restantes elementos da família, encobrir quando é necessário amparar.
A família, sendo a base e a principal célula da sociedade, será tanto mais responsável por um mundo justo, quanto melhor for a preparação dos seus elementos constituintes, sendo certo que a figura maternal, quando verdadeira e humanamente existe, é decisiva para a interiorização, realização e consolidação de valores e boas práticas comunitárias, precisamente a partir da intervenção sensata e amorosa da Mãe.
O poder matriarcal, no seio da família, será um fator de estabilidade, uma garantia de compreensão e tolerância, perante situações anormais provocadas, ou não, por algum elemento do agregado familiar, será fonte de amor, de carinho e de aconchego, finalmente, significará o poder moderador, conciliador e solucionador de conflitos. O poder da Mãe impõe-se pelas suas virtudes, valores e sentimentos naturais, não é conquistado pela força, nem pelo divisionismo da família, e muito menos pela intervenção e intromissão de elementos estranhos.
Conhece-se bem o papel da Mãe na criação, educação e preparação para a vida dos seus filhos, pelos quais tudo faz, até ao limite dos maiores sacrifícios. A credibilidade da Mãe e o reconhecimento da sua necessidade formal e prática são de tal maneira visíveis e aceites que, em grande parte das separações matrimoniais, quando há filhos, estes são entregues à guarda da Mãe, naturalmente, com algumas exceções bem fundamentadas.
Igualmente se julga saber que o abandono dos filhos, por parte do pai, é muito maior do que pela Mãe, como também parece um dado adquirido que, na maior parte das situações, são os avós maternos que apoiam a mãe na criação e educação dos filhos, podendo-se inferir que, em regra, os pais, aqui reportados aos homens, são menos responsáveis do que as mães, em muitas situações, designadamente: por imaturidade, por egocentrismo, por não serem capazes de abdicar de certos vícios e formas de vida.
É indiscutível que há muitas e boas exceções, como também é verdade que existem mães que se revelam incapazes para cuidar dos seus filhos, nalguns casos, porém, sem terem qualquer culpa, porque são surpreendidas por homens e/ou jovens sem quaisquer princípios, valores e sentimentos humanos.
O exercício das funções de Mãe, quando assumido em todas as suas dimensões, enfrentando diferentes e complexas dificuldades, revela bem a grandeza desta condição sublime da Mulher-Mãe, eminentemente feminina, e que por tudo isto deveria ser mais respeitada, mais protegida, mais reconhecida nos seus direitos, enquanto Mulher, Cidadã e Trabalhadora.
Não é nada fácil ser Mãe, ainda que a análise parta de um homem, na medida em que ao longo da história da humanidade, a Mãe tem arcado com as maiores responsabilidades na família e na sociedade porque: em primeira instância, é ela que prepara homens e mulheres para o mundo; é ela que ensina as primeiras palavras, as boas-maneiras, os bons hábitos.
Quem não se sente honrado, feliz e abençoado por ter a Mãe presente, sempre do seu lado, nas alegrias e nas tristezas, nos sucessos e nos fracassos, na saúde e na doença? Quantas pessoas em geral, e quantos filhos, em particular, suspiram pela sua Mãe, ou porque ela faleceu, ou porque teve de abandonar o lar, por razões que nem sempre serão da sua exclusiva responsabilidade? A Mãe, em toda a sua plenitude, é indispensável.
Quantas vezes ao longo da vida recorremos à nossa Mãe: para nos ajudar, material e/ou espiritualmente; quantas vezes ela nos negou a sua ajuda? Quantas vezes nós nos interrogamos, profundamente ansiosos: Mãe, onde estás? Ajuda-me! Não me abandones, Mãe!
É muito difícil refletir-se e escrever-se sobre a Mãe, em geral; e sobre a nossa Mãe, em particular, sem que os sentimentos de amor, de saudade ou até de arrependimento, pelo que de errado tenhamos feito, contra a nossa Mãe, nos chamem à razão, nos alertem para a riqueza que temos, ou perdemos, ou ainda que maltratamos.
De facto, ter Mãe é a maior riqueza que se pode obter neste mundo, e quando a nossa Mãe se nos revela com todo o seu amor, sem limites, nem julgamentos e condenações prévios, nem exigências de nenhuma natureza e que, simultaneamente, nos defende, nos elogia, nos projeta para a vida e para a sociedade, então consideremo-nos as pessoas mais felizes e mais ricas do mundo, porque é impossível uma felicidade maior do que termos a nossa Mãe.
Reconhecendo-se como insubstituível as funções de Mãe, numa sociedade civilizada, defensora e praticante dos mais elementares valores do amor, da dignidade e da felicidade, é tempo de se engrandecer a Mulher, nesta sua dimensão ímpar, concedendo-lhe as condições necessárias para que ela tenha um papel mais ativo e decisivo na formação das mulheres e dos homens que, num futuro próximo, nos vão governar, porque cada vez mais se faz sentir a necessidade de uma sociedade mais humana, mas justa e fraterna.
As Mães de todo o mundo transportam nos seus ventres e lançam para a luz do dia crianças que carecem, não só enquanto tais, mas durante toda a vida, dos valores e sentimentos que suas mães lhes podem e, certamente, transmitem. Nota-se muito bem uma criança que está sob a proteção e amor de sua mãe, daquela que não tem ou nunca teve essa bênção divina.
Como é triste ouvir os choros lancinantes de uma criança, ou até de um adulto, a chamar pela sua Mãe, a pedir-lhe socorro, a pedir-lhe comida, agasalho, proteção e amor. Como estas situações penetram bem fundo na consciência de quem sabe o que é ter uma Mãe, o sorriso carinhoso da Mulher que primeiro se ama na vida, a doçura de um beijinho, a suavidade de uma carícia terna e meiga e, também de uma “palmadinha” para nos chamar a atenção das nossas traquinices.
Como é bom ter a Mãe do nosso lado, sem condições, nem exigências, e sempre junto de nós, qual baluarte de defesa das nossas fragilidades! Com é imenso o amor de Mãe que pelos seus filhos é capaz de vencer tudo e todos. Como é essencial o acompanhamento de uma Mãe, ao longo das nossas vidas. Como o mundo seria melhor se nós ouvíssemos os sábios conselhos das nossas mães, os valores e sentimentos que elas nos transmitem.
E como será bom para uma Mãe receber dos seus filhos o respeito, a admiração, o amor incondicional. E, quando necessário, tal Mãe poder contar com o filho, igualmente, do seu lado e com ele resolver os problemas da vida. Como será gratificante para uma Mãe saber que o seu filho lhe proporcionará as melhores condições de vida, que a visitará frequentemente, ou que a terá junto de si, se a vida lhe permitir porque, em quaisquer situações, a Mãe saberá sempre compreender o filho e enquanto puder, mesmo na velhice, mesmo privando-se de bens essenciais à sua vida e saúde ela, essa Mãe extremosa e amorosa, continuará a velar pela felicidade do seu filho e, quantas vezes, dos netos.
Seria muito significativo e revelaria boa formação e sentimentos nobres, toda aquela pessoa que, sendo detentora de um qualquer poder, especialmente os líderes: políticos, legislativos e executivos, bem como de todas as atividades, se adotassem medidas justas, humanas e adequadas à proteção das famílias em geral, e das Mães em particular.
 Afinal foram, continuam a ser elas, as nossas Mães, que nos ajudaram a chegar até onde estamos, a elas devemos muito dos nossos sucessos, do nosso conforto e felicidade. Sem as nossas Mães do nosso lado, sem o seu amor, carinho, tolerância e auxílio, provavelmente, não passaríamos de vulgares criaturas, sem valores, sentimentos e, eventualmente, sem rumo na vida.
Por tudo isto, e não é nada pouco, governantes, que também são filhos, protegei as vossas Mães, as nossas Mães, defendei as Mães de todo o mundo, porque sem elas, seríamos incompletos. Amemos as nossas Mães, respeitemo-las através do Amor, da Doação, da Ética, da Gratidão, da Lealdade e da Honestidade. É o mínimo dos mínimos que por elas podemos fazer.
Mãe Querida, onde quer que estejas, um beijo, com imenso amor, do teu filho. 

O Presidente da Direção,
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
925 935 946

domingo, 20 de abril de 2014

A Cruz da Austeridade na Páscoa Portuguesa


Muito embora a esperança seja, ou deva ser, a última expectativa a morrer, a verdade, porém, é que nesta Páscoa de dois mil e catorze, não haverá muitos motivos para nos sentirmos seguros quanto a uma desejável e legítima estabilidade, em vários domínios da nossa existência e, enquanto cidadãos de deveres e direito, porque, “tragicamente”, quase todos os dias somos “aterrorizados” com notícias devastadoras de esperanças que ainda poderíamos alimentar, quanto a um futuro tranquilo e confortável.
A sociedade portuguesa em geral, e alguns extratos mais vulneráveis, em particular, continuam a sofrer as consequências de situações para as quais não contribuíram, nem são responsáveis. Milhões de pessoas entre funcionários públicos, trabalhadores do setor privado, reformados, pensionistas, desempregados, imigrantes, sem-abrigo, excluídos, idosos vivem no limiar da pobreza, passando fome e frio, com falta de saúde e de perspectivas quanto a um futuro com um mínimo de dignidade humana.
Recentemente, o mais alto Magistrado da Nação, teve a coragem de, em cerimónia pública, na localidade de Azeitão, no passado dia dezassete de Abril deste ano, afirmar que “os sacrifícios exigidos aos portugueses foram excessivos, que existem situações de miséria intoleráveis e que é tempo de parar com tais medidas, que têm sido suportadas sempre pelos mesmos”. Declarou, ainda, que “existem indicadores económicos que apontam para que se pare com tantos sacrifícios”. 
Comemora-se um acontecimento de grande significado para o mundo Católico, mas não só. A Páscoa, que deveria ser um evento de alegria, de ressurreição dos valores que têm vindo a ser ignorados, como: o respeito pelos mais idosos, o trabalho para os desempregados, as reformas/pensões para os que já contribuíram e atingiram a idade para este direito, a inclusão total na sociedade, de todos os marginalizados, enfim, a dignidade de toda a pessoa humana, infelizmente é, para a esmagadora maioria dos portugueses, uma época festiva, talvez e só a nível religioso.
Verifica-se, atualmente, que os valores materiais se têm vindo a sobrepor aos de ordem imaterial, aos sentimentos mais nobres. Tudo gira à volta dos mercados, dos lucros, dos deficits, dos números astronómicos da ganância de alguns contra as mais elementares necessidades das maiorias. Hoje, sentimentos como: a solidariedade, a amizade, o amor, por exemplo, são muito difíceis de se vislumbrarem em algumas elites dominadoras, no entanto, elas, as elites, não podem ignorar que: «O amor é uma energia, a energia mais pura e mais elevada. Nas suas vibrações mais altas, o amor possui sabedoria e consciência. É a energia que une todos os seres. O amor é absoluto e não tem fim.» (BRIAN, 2000:17).
Durante alguns anos, praticamente: têm sido sempre os mesmos a suportar o “fardo” de uma dívida que não contraíram; têm sido sempre os mesmos a serem privados dos direitos que, por contrato escrito, de boa-fé, celebraram com um Estado que deveria ser, sempre, pessoa de bem. É injusto, imoral e, em muitas circunstâncias de duvidosa legalidade, o que se tem vindo a impor a alguns extratos da sociedade portuguesa, precisamente por quem se comprometeu a melhorar as condições de vida da população.
Apesar da situação difícil: há muita vontade em se acreditar em melhores dias; alguma esperança, calada bem no fundo das nossas consciências, ainda não morreu; um certo e tímido otimismo reina nos espíritos daqueles que continuam a sofrer e a lutar por um futuro melhor, mas para que estes sinais não morram é necessário que se anulem, de imediato, aquelas medidas gravosas que têm prejudicado a qualidade de vida de milhões de portugueses.
Mais um período Pascal se está a viver, com milhões de portugueses “crucificados” por: impostos, taxas, sobretaxas, comparticipações extraordinárias, desemprego, fome, exclusão. Idosos que se “arrastam” sem terem a certeza de quanto vão receber de reforma e/ou pensão no mês seguinte; centenas de milhares de cidadãos que procuram, desesperadamente, um trabalho; excluídos que continuam a dormir na rua, com fome, sede, frio e doentes; jovens que abandonam a família, os amigos, o país em busca, no estrangeiro, de uma vida de trabalho e de dignidade a que têm direito, mas que o país lhes recusa; e também, milhares de pessoas que, apesar da idade, ainda poderiam ser úteis à sociedade, com a sua experiência e sabedoria, todavia, são consideradas uma espécie de excluídos especiais, porque: por um lado, não os deixam trabalhar; mas por outro lado, lhes retiram os rendimentos para os quais labutaram e descontaram décadas.
É tempo de se acabar com o sofrimento e fazer descer da “Cruz” todos os portugueses que nos últimos anos têm sido “crucificados”, injusta, imoral e, quem sabe, ilegalmente; é tempo de se cumprirem promessas feitas em contextos reais e que milhões de portugueses acreditaram e colaboram, para que elas fossem executadas; é tempo de nos ser restituído o respeito, a solidariedade, a dignidade devida a pessoas verdadeiramente humanas.
Este ano, a Páscoa, enquanto acontecimento religioso no mundo católico, decorre a menos de uma semana de outro grande evento nacional que é o vinte e cinco de Abril, data para se comemorar a liberdade, a igualdade e a fraternidade. Religião e Política não são incompatíveis, pelo contrário, podem articular-se, cooperar e encontrarem as soluções para que em Portugal se viva com perspectivas de um futuro muito melhor, para que a sociedade portuguesa sinta, definitivamente, que os seus deveres são equitativamente exigidos, mas também os seus direitos integralmente respeitados.
Os Portugueses são credores, em todo o mundo, de grande admiração, respeito e estima, porque são cumpridores, honestos, trabalhadores, humildes, educados e criativos. Tais qualidades devem ser reconhecidas ”cá dentro”, entre todos nós, a começar por quem nos administra e em quem milhões de cidadãos acreditaram, independentemente das opções políticas, religiosas e filosóficas de cada um e dos respetivos estatutos sócio-profissionais. É tempo de “Descrucificar” a população; é tempo de a retirar da “Pesada Cruz” a que foi submetida, injustamente.
Nesta Páscoa, que todos desejaríamos vivê-la com alegria e esperança, num futuro muito melhor, queremos, apesar de tudo, continuar a alimentar o “sonho da felicidade” que se pretende realizar através da segurança, da estabilidade no trabalho, na certeza de um fim de vida confortável, sem receios de cortes nas pensões/reformas. Temos direitos adquiridos por contratos firmados, honestamente, com um parceiro que tem o dever de os cumprir e, se possível, melhorar, pelo menos em benefício dos mais carenciados e desprotegidos.
E se é certo que: «A felicidade aumenta com a intervenção social e participação nas organizações beneficientes …» (RICARD, 2005:217), então é necessário que o Estado se preocupe muito mais com a dimensão social que deve ter para com todos os portugueses, porque temos direito de sermos felizes, em várias dimensões: axiológica, trabalho, segurança social, saúde, educação, formação, habitação e lazer, entre outras.
É tempo de se dizer “basta”, de não se crucificar sempre os mesmos. Convoquem-se aqueles que não sendo funcionários públicos, reformados, pensionistas e trabalhadores do setor privado, mas os outros, aqueles que ocupam posições de destaque, bem remuneradas, porque, seguramente, que estes também estarão disponíveis para darem o seu contributo e, desta forma, atenuarem o sacrifício daqueles que nos últimos anos têm vindo a pagar a fatura de uma “despesa” que não fizeram. Corte-se no que é exagerado, nos bens e benefícios supérfluos.
Páscoa de dois mil e catorze, festa da Ressurreição de Cristo Redentor, que deveria ser de restauração de direitos injustamente retirados, do respeito por todos quantos têm contribuído para que este país seja símbolo do cumprimento dos Direitos Humanos, das Normas Constitucionais, enfim, pela exaltação da dignidade da pessoa humana.
Desejamos a todos os portugueses que nunca mais tenham uma Páscoa tão triste devido à situação em que nos encontramos. Queremos para toda a sociedade nacional que se restaurem os direitos para os quais contribuímos generosamente, sempre de boa-fé. Queremos descer da “Cruz Pesada da Austeridade Injusta”. Queremos Solidariedade, Amizade, Lealdade, Igualdade, Fraternidade, Liberdade. Queremos a nossa Dignidade de Pessoas Verdadeiramente Humanas.

Bibliografia

BAKER, Mark W., (2005). Jesus o Maior Psicólogo que já Existiu.Trad. Cláudia Gerpe Duarte. Rio de Janeiro: Sextante.
BRIAN L. Weiss, M.D. (2000). A Divina Sabedoria dos Mestres. Um Guia para a Felicidade, alegria e Paz Interior. Trad. António Reca de Sousa. Cascais: Pergaminho. 

O Presidente da Direção

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

domingo, 6 de abril de 2014

O Poder Religioso


Desde tempos imemoriais que o poder religioso exerce uma profunda influência nas pessoas em geral, e nos crentes em particular e que, atravessando séculos e milénios, chega aos dias de hoje com grande pujança e revelador de progressos significativos, nomeadamente, a sua abertura às questões sociais, eventualmente, sem o dogmatismo tão acentuado, como poderia ter ocorrido um pouco ao longo da Idade Média e, atualmente, em consequência de posições radicais e fundamentalistas por parte de alguns dignitários e de seus seguidores.
A verdade, porém, na maioria das grandes religiões, é que estas desejam aprofundar o diálogo entre elas, justamente para se encontrarem soluções para muitos problemas, especialmente os de natureza social e humanitária, que continuam a atormentar a sociedade humana no seu todo.
Destacar o contributo positivo do poder religioso não significa branquear situações que, no passado medieval, teriam ocorrido e, eventualmente, ainda se verificam, num ou noutro ponto do mundo.
O importante, no atual contexto mundial é recolocar este fenómeno humano no lugar que, por mérito próprio, lhe pertence, isto é, ao nível dos mais altos poderes do Estado, porque se o poder espiritual da Igreja tem servido para mediar conflitos, então, deve-se-lhe reconhecer tal influência e capacidade em tudo o que respeita, por exemplo, ao reconhecimento inequívoco, não envergonhado e o correspondente relevo temporal.
Em todo o cerimonial protocolar do Estado, até porque, segundo o Santo Padre, João XXIII, na Encíclica “Pacem in Terris” 1963: «Entre os direitos do homem, deve incluir-se, também a liberdade de prestar culto a Deus de acordo com os retos ditames da própria consciência, e de professar a religião, privada e publicamente.» (in BIGO & ÁVILA, 1983: 266).
Aceitando-se, num Estado de Direito Democrático, a separação de poderes, desde logo o poder temporal do poder religioso, o Estado e a Igreja, isso não significa que as duas instituições não possam e não devam cooperar nos assuntos que afetam a população civil, esta composta por crentes e não crentes, governados e governantes, bem pelo contrário, haverá matéria, domínios, conhecimentos e experiências em que a Igreja já demonstrou estar muito melhor preparada do que o poder laico.
 É suficiente invocar-se o trabalho desenvolvido em contextos e cenários desfavoráveis às intervenções dos técnicos, onde as instituições religiosas do tipo Missões, Misericórdias, Confrarias, Caritas, etc., têm revelado capacidades, competências e sentimentos que não são muito comuns em algumas instituições governamentais. Os valores religiosos da caridade, da compaixão, da tolerância, da solidariedade, entre outros, têm aqui um sentido profundamente personalista e universalista.
Ignorar a existência desta realidade milenar, para fugir ao reconhecimento da existência, influência e imprescindibilidade da religião, da Igreja e dos seus legítimos e legais dignitários, corresponde a mentalidades e comportamentos que, definitivamente, optam pela via do confronto verbal, físico, bélico, isto é: do poder do mais forte, materialmente auto-considerado.
O mundo civilizado, moderado, tolerante, humanista, personalista e pacífico, deve encaminhar-se para os seus valores tradicionais e milenares, o mais antigo dos quais é, porventura, a Religião, com todos os seus recursos, espirituais e materiais.
Esta é que é a realidade que a humanidade deve entender, considerar e respeitar, porque o homem, além do corpo físico, tem algo de muito mais específico, transcendente e sublime: tem uma alma, um espírito, uma dimensão que é filha da divindade Deus, a Quem deve obediência, respeito, veneração e amor.
O poder religioso, consubstanciado na fé, assume na pessoa humana, a sua maior dimensão, pela qual, quando tudo falha na vida material, o crente consegue ultrapassar e vencer situações que nem a ciência, nem a técnica, nem a fortuna material conseguiram dominar. É este poder de auto-convicção, de auto-estima e de auto-confiança que leva aos maiores sucessos pessoais, independentemente da religião que se professa.
Com este poder é possível manter a dignidade, o respeito e a determinação em prosseguir um caminho que conduz aos mais nobres e sublimes objectivos: amor, felicidade e paz.
O ser humano que alcança estes valores, certamente que fica dotado de um poder que nenhuma outra via lhe proporciona. O poder religioso solidifica, quem o possui, nos sentimentos da confiança e da esperança, sem os quais será difícil evoluir para uma sociedade verdadeiramente humana, fundamentalmente, quando se perde o amor pelo Deus que tudo cria, controla e extingue.
Será pela confiança em si e no seu Deus e pela esperança que Ele incute, através do amor, que o homem alcançará a felicidade e a paz, porque: «O verdadeiro e perfeito amor se mostra nisto: que se tenha grande esperança e confiança em Deus; pois só na confiança se sabe que há um amor verdadeiro e total, pois se alguém ama outrem de todo o coração e com toda a perfeição, surge a confiança; pois tudo quanto se ousa esperar de Deus, nele verdadeiramente se encontra e ainda mil vezes mais.» (ECKHART, 1991: 119)
O poder que resulta da atitude religiosa, suportado na confiança, na esperança e no amor, permite ao indivíduo humano e à sociedade, a partir de uma vida dedicada, também aos valores religiosos, alcançar situações de verdadeira paz, felicidade e realização plena, porque: «A religião está assim implicada no mais íntimo da vida do espírito; mais ainda, é a plenitude da vida da pessoa, colocada como está no termo mesmo de suas dimensões contemplativa e prática – donde elas se conjugarem na atitude de reconhecimento, adoração e submissão à Pessoa Divina, Causa primeira e Fim último do ser da pessoa e de todo o ser criado.» (DERISI, 1977: 53).
 Podem a ciência, a técnica e todo o materialismo humano produzir os mais sofisticados bens: dos supérfluos aos indispensáveis; da ostentação à miséria; do domínio à subjugação, sem que isso signifique a resolução de todos os problemas ou o agravamento dos mesmos, respetivamente.
A pessoa, a família, a sociedade que transportam consigo confiança, esperança e amor, possuem um poder que nenhuma outra arma ou sistema bélico conseguem destruir, porque aqueles sentimentos já são próprios de um ser superiormente dotado, preparado para, mesmo no sofrimento e na derrota materiais da vida físico-social, continuar a lutar pelo objetivo último que se há-de concretizar numa vida espiritual repleta de certezas divinas, da união a Deus, onde todos os sofrimentos, injustiças e humilhações cedem o lugar a uma vida eterna tranquila, justa e digna.
É este poder que alimenta e dá coragem para enfrentar, num mundo materializado, as dificuldades, os obstáculos, os ódios, as vinganças e traições, que uma pequena minoria tenta impor à maioria generosa e de boas pessoas.
 É este poder que resulta de uma confiança sem limites, de uma esperança sempre renovada e de um amor cada vez mais consolidado, que permite que multidões anónimas, periódica e ciclicamente, se dirijam aos lugares sagrados, justamente para agradecer e pedir a Deus a satisfação de necessidades básicas: Graça Divina, saúde, trabalho, amor, paz e felicidade.
Nenhum outro poder entusiasma e mobiliza tantas pessoas como o poder de Deus, configurado na Religião que cada um abraça e comunga, sempre com uma confiança e esperança renovadas, precisamente, no amor ao seu Deus, porque: «A chave da existência humana é o impulso religioso inato que brota da vida essencial universal e a ela aspira retornar. Isso é verdade hoje e o tem sido através da história humana. Os humanóides não se teriam tornado humanos sem a inteligência, mas somente o sentimento religioso poderia tê-los capacitado a desenvolver a inteligência e outras capacidades mentais ou espirituais associadas à nossa espécie.» (IKEDA, 1982: 222).

Bibliografia

BIGO, Pierre, S.J., & ÁVILA, Fernando Bastos, S.J., (1983). Fé Cristã e Compromisso Social; Elementos para uma reflexão sobre a América Latina à luz da Doutrina Social da Igreja, 2. Edição revista e aumentada, São Paulo: Edições Paulinas.
DERISI, Octávio Nicolás, (1977). Valores Básicos para a Construção de uma Sociedade Realmente Humana, Trad. Alfredo Augusto Rabello Leite, São Paulo: Mundo Cultural.
ECKHART, Mestre, (1991). O Livro da Divina Consolação e outros textos seletos, Trad. Raimundo Vier, O.F.M. et al, 2ª Ed. Petrópolis: Vozes.
IKEDA, Daisaku, (1982). Vida: Um Enigma, Uma Jóia Preciosa, Trad. Limeira Tejo Rio de Janeiro: Editora Record.
 
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
(Presidente da Direção da ARPCA)

domingo, 2 de março de 2014

Regresso em Glória


Avançava a luminosidade para Ocidente, e imediatamente atrás o astro-rei fazia a sua aparição, naquela manhã radiosa de Primavera. Ao longe via-se o mar, espraiando-se suavemente na praia dourada, na qual cintilavam gotinhas de orvalho.
Na pequena aldeia a azáfama era já muito grande. Trabalhadores que fazendo-se transportar em bicicletas e motorizadas, deslocavam-se para os seus locais de trabalho, enquanto outros caminhavam a pé pela berma da estrada; lavradores com ferramentas e máquinas, adubos e farnéis, dirigiam-se para os campos onde as lavradas se iniciavam com arados e tratores; para o posto de recolha de leite, seguiam as mulheres com a bilha à cabeça, ou na mão, contendo o precioso líquido, fresco e quente, extraído dos animais que todos os agricultores, de uma maneira geral, criam para apoio à agricultura.
Na praia, indiferente a todo este movimento matinal, uma jovem continuava sentada, parecendo meditar profundamente, percorrendo o horizonte com a vista, como que procurando algo de invisível, no espaço ou no mar. A seu lado tinha um livro aberto e um binóculo.
De quando em vez murmurava algumas palavras, pegava no livro para depois voltar a pousá-lo na areia. O oceano continuava calmo. Pescadores partiam para a faina da pesca em barcos típicos da região: uns, impulsionados a motor; outros, movidos a remos.
Junto ao cais, e um pouco para Sul do local onde a jovem estava, transitavam patrulhas das Autoridades, munidas de autorrádios, perscrutando, também eles, o horizonte. Alguns populares interrogavam-se mimicamente, semblantes inexpressivos, olhos postos na longitude do mar e na imensidão do espaço, afastando-se, depois, para as suas lides, ficando outros no local esperando sem saberem o quê.
A jovem continuava preocupada, embora tranquila. O sol brilhava, agora com maior esplendor, e a temperatura elevava-se gradualmente sem contudo incomodar, até porque uma leve brisa de Noroeste já se fazia sentir. Estava-se na alta Primavera, já quase a entrar no Verão e de facto, aquele mês de Junho decorria, climatericamente, de acordo com a normalidade previsional dos respetivos serviços técnicos de meteorologia.
Pelas nove horas outros populares chegaram ao local, cada um procurando averiguar o que se estaria a passar. Os agentes da autoridade mantinham-se atentos, de vez em quando, estabeleciam comunicações via rádio, provavelmente com outras patrulhas ou com os respetivos superiores.
Decorrido algum tempo, compareceu na praia uma equipa da radiotelevisão, transportando máquinas de filmar, microfones, gravadores e todo um conjunto de equipamentos eletrónicos. Passava já das dez horas quando ao longe, na linha do horizonte, se viu uma mancha branca, ligeiramente acima da água e que se movia no sentido norte-sul, lentamente, mais parecendo um barco à vela em tempo de calmaria. Logo se gerou algum alvoroço.
A jovem levantou-se e, pegando no binóculo, assestou-o naquela direção para, de seguida, dar uma exclamação de desânimo e proferir, quase em surdina: “É uma nuvem”. De facto, a mancha branca elevava-se lentamente da linha de água e deslocava-se no sentido anteriormente referido, norte-sul.
Tudo voltou à expectativa inicial, com a única diferença de que aquela jovem, vestida de negro, cabelo atado e semblante triste, não mais se voltou a sentar na areia seca e brilhante daquela praia minhota, de uma recôndita aldeia portuguesa.
A fase da maré enchente desenvolvia-se regularmente, o vento soprava com um pouco mais de força, o mar, de pequena vaga, estava ligeiramente encrespado. À praia continuavam a chegar mais pessoas e, do cais situado a sul, uma lancha da Marinha zarpou rumo ao Ocidente.
Outras embarcações de pequeno calado seguiram aquela, navegando a motor e mantendo uma distância razoável. No horizonte alguém viu várias silhuetas, movendo-se na água, no sentido de terra. Mais algum tempo e as silhuetas tornaram-se mais nítidas, até se configurarem com a forma de três pequenas embarcações, movidas a remos.
A jovem correu, então, para a beirada da água. As autoridades que patrulhavam a área aproximaram-se também e, simultaneamente, davam, ordens aos populares para deixarem livres alguns espaços que, imediatamente, delimitaram e sinalizaram. Apenas os operadores de televisão foram autorizados a aproximarem-se da água, com os respetivos equipamentos que logo colocaram em pontos estratégicos, provavelmente para melhor captarem as imagens que indubitavelmente lhes interessavam gravar.
Neste preciso momento surgiu na praia, e rapidamente se deslocou para a área reservada e controlada pelas autoridades, uma pessoa, envergando o hábito de padre que se fazia acompanhar por uma outra que transportava uma caldeirinha com água benzida e que dirigindo-se à jovem lhe dedicou palavras de coragem, de conforto e de resignação, pelo que viesse a suceder, porque assim se cumpria a vontade do destino.
Ela olhou-o, longamente, não conseguindo evitar uma lágrima que pela face aveludada lhe rolou, até cair no colo. Nada disse, apenas o seu olhar foi eloquente para não disfarçar um sentimento, apesar de tudo, de esperança.
Passava já das onze horas quando uma outra personagem fez a sua aparição naquele cenário tão lindo e natural: tratava-se de um indivíduo de cerca de quarenta anos, vestindo uma bata branca e transportando, na mão direita, uma pequena caixa, também branca com uma cruz vermelha pintada na tampa.
Seria um médico ou um enfermeiro, mas quem quer que fosse, também para junto da jovem se dirigiu, perguntando-lhe se havia notícias, ao que ela respondeu que o que mais desejava era ter notícias, ainda que não fossem as melhores, pois não podia por muito mais tempo suportar aquele sofrimento.
A movimentação das pessoas, mais ou menos identificadas com determinadas tarefas, não parou de se fazer notar e, decorrido mais algum tempo, após a chegada daqueles que já foram referidos, verificou-se que a cerca de cem metros da praia estacionava uma ambulância dos bombeiros municipais, do interior da qual saíram com alguma rapidez quatro soldados da paz, transportando uma maca e alguns instrumentos de primeiros socorros, dirigindo-se, também, para junto da jovem à qual perguntaram se tinha conhecimento dos últimos acontecimentos.
A donzela olhou os bombeiros com interrogativo gesto de cabeça, dizendo depois, que, tal como eles, apenas julgava saber que o desfecho de tão grande aventura estaria para breve e, apontou para o mar, indicando as três embarcações que, lentamente, se aproximavam da praia e que dentro de alguns minutos tudo ficaria resolvido.
Ainda não era meio-dia e os três barcos a remos, escoltados pela embarcação da Marinha, preparavam-se para abicarem à praia. A jovem vestida de negro, com semblante triste, entra na água, braços levantados, como que num gesto para abraçar alguém.
Neste preciso momento, ouve-se uma voz que dizia: “câmara, ação”. A jovem profere uma frase, bem alto, bem nítida: “Finalmente, chegaste”. Um dos barcos a remos navega, então, com mais velocidade direito à praia. Era tripulado por três homens, vestidos de guerreiros, dois estavam aos remos e o terceiro, levantando-se, exclama: “Para sempre meu amor”.
O tripulante do barco e a jovem envolvem-se, então, num abraço prolongado, intenso, firme e terno. Entretanto, os outros dois barcos abicam, também, na mesma praia. Os seus tripulantes exultam de alegria. As personagens, já caraterizadas, iniciam as suas atividades: o padre rezando uma oração de ação de graças, benzendo as três embarcações; o médico interroga os tripulantes sobre os seus estados de saúde, entrega alguma medicação a um ou outro, dá conselhos e acaba por retirar-se; as autoridades continuam nos seus postos, põem ordem na curiosidade do povo, evitando que este avance para além das linhas definidas previamente para a realização das cenas.
Os restantes intervenientes, enfermeiro e bombeiros, retiram-se, concretizados que foram os seus papéis. Finalmente, a lancha da Marinha, cumprida que foi a missão, encontrando-se todos os tripulantes em terra, navega para o porto local, onde entra sem dificuldade.
Estava consumado mais um capítulo da telenovela: “Regresso em Glória”. As filmagens terminaram naquela aldeia pitoresca do Alto Minho e num dia radioso de Primavera. Outros capítulos se seguiriam, noutras localidades, noutros dias. Os dois jovens enamorados cumpriram, uma vez mais, os papéis que lhes estavam distribuídos.
As cenas dos capítulos seguintes iriam, porém, demonstrar que a vitória e a glória, por vezes, pagam-se muito caro. São as cobiças, as invejas que se instalam no seio dos detratores do sucesso. São as intrigas, os enredos que tecem toda uma teia à volta de um casal que se ama e deseja felicidade. São as lutas que esse mesmo casal terá de enfrentar e vencer para, finalmente, a história acabar como todas as histórias fechadas: “Casaram, tiveram muitos filhos e foram muito felizes

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo 

(Presidente da Direção da ARPCA, em Exercício)
 

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Crentes e Não-Crentes: Unidos na Felicidade e na Paz


A dificuldade em se definir, numa fórmula objetiva, o que é a felicidade, parece, muito evidente; provar que a felicidade se pode obter pela via religiosa é, epistemologicamente, muito complexo, o que não invalida uma abordagem séria, responsável e respeitosa, justamente, com o objetivo de, no mínimo, incentivar todos os interessados, crentes e não-crentes, a percorrer este longo caminho, tendo por veículo privilegiado a religião e, quem sabe, se num determinado ponto do percurso, surjam indicações, e/ou sinais, que apontem para uma situação que se possa equiparar a um estado de espírito, que seja definível num conceito de felicidade.
O instrumento que, quantitativamente, indique o valor da felicidade, por enquanto, não é conhecido, mesmo que fosse possível enumerar os momentos, mais ou menos longos, intensos e profundos dessa felicidade.
Em todo o caso e para facilidade de compreensão e, entre inúmeras opiniões, aceite-se, como ponto de partida, que ser feliz consiste: «Ter sensações de bem-estar e prazer físico; poder manifestar alegria; ter tranquilidade de espírito; sentir emoções agradáveis; desfrutar de coisas boas na vida; sentir-se valorizado, aceito e amado; ter a sensação de utilidade; conseguir realizações na vida; conversar agradavelmente com parentes e amigos, entre outras situações.” (RESENDE, 2000:176-77).
Verifica-se que um dos fatores que intervém na felicidade é, justamente, a tranquilidade de espírito ou, se se preferir, de consciência que, de entre outros processos, se pode obter pela religião, com toda a liturgia, rituais e crenças que a envolvem, o que não significa que o não-crente, o religioso-não-praticante, não tenham, em dados períodos das suas vidas, momentos de tranquilidade de espírito, de felicidade, conseguidos por práticas adequadas, que conduzem àquela situação de calma espiritual, de consciência serena e boa condição física.
A religião é, naturalmente, vivenciada pelo homem e pela sociedade, através de processos e reações diferentes, mas que têm em comum uma relação com Algo Transcendente.
Por muito santificado e/ou divinizado que se pretenda ver um outro homem, nosso semelhante, e existindo concreta e fisicamente a relação que com ele se estabelece, esta não configura, necessariamente, uma dimensão religiosa, apesar de nessa relação se colocar crença, respeito e uma ligação mística.
A elevação e a fé, que se colocam na relação transcendente do espírito com Deus e com o mundo inefável, é que podem assumir a dimensão única da religiosidade dessa relação porque: «De facto, o espírito humano penetra tudo no homem, unifica e dá a dimensão humana a tudo e portanto tudo no homem deve ser orientado segundo os valores mais altos do espírito.» (SILVA, 1966:192).
As sociedades atuais também se organizam com objetivos religiosos, tal como na perspetiva política, económica, social, cívica e outras. A sociedade religiosa existe em todos os países e, enquanto tal, desenvolve as atividades que, espiritualmente, lhe são próprias e que, também por esta via, pretende obter a felicidade e a paz em determinadas épocas da sua história, quando a maioria dos seus elementos manifesta os sintomas antes referidos, dos quais, e para esta reflexão, importa destacar a tranquilidade do espírito. Acredita-se que um espírito/consciência tranquilo tem mais clarividência para analisar e decidir acerca de situações difíceis, no homem e na sociedade.
Delineados os mecanismos para melhorar e/ou manter a felicidade e a paz humanas, através do espírito religioso e do bem-comum ético-religioso, abre-se a possibilidade de, com competência, desenvolver estratégias que conduzam o espírito/consciência a uma sensação real, sentida e vivida de felicidade e de paz.
Nesta perspectiva é possível tentar ser-se competente na busca da felicidade e da paz, podendo-se começar pela satisfação de necessidades de ordem material até se chegar às de natureza axiológica, consubstanciadas nos valores da estima, da solidariedade, da lealdade, do amor, da oração, porque: «Satisfazer as necessidades é adquirir condições para ser feliz (…) através do desenvolvimento das competências essenciais – intelectuais, espiritual, emocional e física (…). Mais objectivamente: se pode ficar espiritualmente mais optimista, mais de bem com a vida;» (RESENDE, 2000:178).

Bibliografia

RESENDE, Enio, (2000). O Livro das Competências. Desenvolvimento das Competências: A melhor Auto-Ajuda para Pessoas, Organizações e Sociedade. Rio de Janeiro: Qualitymark.
SILVA, António da, S.J. (1966). Filosofia Social, Évora: Instituto de Estudos Superiores de Évora.

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo 
(Presidente da Direção da ARPCA, em Exercício)

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Ano Novo: Esperança Renovada


Concluído que está mais um ano, extremamente difícil, mas que, desejavelmente, até poderá vir a fechar um ciclo de alguns anos de imensos sacrifícios, injustiças, incompreensões, ilegitimidades, designadamente nos domínios político-social, económico-financeiro e laboral que, de forma intensa, atingiu os portugueses em geral e, principalmente, os mais vulneráveis: desempregados, idosos, pensionistas e reformados, trabalhadores dos diferentes setores de atividade económica: sejam independentes, sejam por conta de outrem. Todos sentiram a “mão de ferro” de uma austeridade imerecida e brutal, que não seria necessária, que não tinha de ser assim, que não atingiu na mesma proporção pessoas, grupos e organizações.
É verdade que vamos quase com seis anos de sofrimento, de perdas de direitos adquiridos, porque contratualizados de boa-fé, seja com entidades privadas, seja com o próprio Estado, este, sabe-se bem, não tem honrado os compromissos assumidos, designadamente com os seus servidores e, dentro destes, com os mais vulneráveis, que já não podem defender-se, na medida em que os principais instrumentos de reivindicação, tais como as greves de nada lhes serve, estão à mercê de um Estado que não é totalmente sensível aos dramas sociais e muito menos para com aqueles que o servem atualmente.
Durante a quadra natalícia, que decorreu recentemente, ouviram-se muitas mensagens de esperança, muitas alusões a dias melhores, estatísticas favoráveis no sentido de que os principais indicadores económicos estão a melhorar, a dar sinais de uma lenta mas consolidada recuperação, apontando-se para o vislumbre de uma “luzinha ao fundo do túnel”, como, ao que afirmam, não se via há muito tempo. É saudável dar-se o benefício da dúvida e fazer-se um esforço generoso, para se acreditar, de que realmente, a situação vai melhorar.
Pensar-se que é tempo de “arrepiar caminho”, em relação a diversas medidas, entretanto insinuadas, de mais austeridade, é uma atitude correta, na medida em que não podem ser sempre os mesmos a pagar as faturas dos descalabros de quem tem responsabilidades na gestão dos recursos nacionais. É tempo, a partir de agora, de serem outros a suportar o pesado fardo de uma carga brutal de impostos, taxas, derramas e todos os outros instrumentos que, afinal, não passam de processos injustos, de retirada de rendimentos às famílias.
Afirmar-se que se deve fazer um balanço sério do que ao longo destes anos foi feito contra a maioria das pessoas, não é exigir nada que possa ofender quem quer que seja, mas apenas pretender-se dar um contributo para que haja mais equidade, mais proporcionalidade, mais equilíbrio entre pessoas que devem ser todas consideradas de uma só categoria: portuguesas, não de primeira, de segunda ou terceira, mas apenas, portuguesas.
O novo ano que agora se inicia já vem “pré-prestigiado” como podendo vir a ser o início da “independência económica”, das retomas mais acentuadas, uma espécie de “liberdade condicional” (financeira), mas que, por isso mesmo, ainda se enfrentará vários obstáculos que todos temos de vencer, sabendo-se, contudo, que ninguém vence o que quer que seja, sem saúde, sem trabalho, sem educação/formação, sem poder de compra, porque é pela riqueza que se promove o consumo, que tudo funciona e se desenvolve positivamente e jamais pelo empobrecimento das pessoas, do país e das nações. A lógica que tem vindo a ser seguida, não parece adequada ao progresso sustentado.
Apesar das tremendas dificuldades sentidas durante os últimos anos, pese, embora, fazer-se passar a mensagem de que certos sacrifícios, perdas de direitos e imposição de medidas injustas, ilegítimas e, eventualmente, ilegais, se não fossem previamente analisadas, serão necessárias para se ultrapassar uma alegada situação económica muito complicada, de que a esmagadora maioria do povo não é responsável, é tempo de se inverter a irracionalidade e injustiça seguidas, e adotar políticas verdadeiramente humanistas, socialmente compatíveis com a dignidade humana a que todos temos direito.
Vamos, portanto, iniciar mais um ano imbuídos de um novo espírito, no sentido de acreditarmos que, finalmente, será possível restituir tudo o que, sob a capa de uma austeridade, dita necessária, nos foi retirado nestes últimos anos, porque a “receita” aplicada falhou, na medida em que não é pelo caminho da miséria, do desemprego, da retirada de direitos adquiridos e da redução drástica do poder de compra que se vai dinamizar a economia, o consumo, o investimento e a atração de novos empreendedores.
É muito difícil aceitar-se participar em “desafios” lançados por pessoas e/ou entidades responsáveis, quando os direitos essenciais para os enfrentar e vencer nos são retirados e/ou reduzidos, designadamente aqueles que dependem dos decisores, destacando-se, objetivamente cinco desses direitos: a) saúde; b) trabalho; c) educação/formação; d) salários/reformas; e) poder de compra, já que muitos outros não dependem, exclusivamente, dos poderes legitimamente constituídos, por isso, a esperança de que repostos todos os direitos, será este o caminho que nos deve animar e assim apoiarmos todos os projetos, enfrentarmos os desafios que promovam e consolidem aqueles cinco instrumentos para o desenvolvimento e bem-estar de toda uma população.
Todo o mundo sabe que os portugueses, ao longo da sua quase milenar História, deram provas de inteligência e coragem para vencer em todos os domínios das atividades humanas. Possuímos uma das melhores “mão-de-obra” do mundo, um grande espírito de abnegação, uma indiscutível capacidade de adaptação às mais diferentes e até hostis situações. Temos “massa cinzenta” espalhada por todo o mundo e também dentro de portas. Somos os melhores de entre os melhores. Precisamos, apenas, dos recursos materiais: financeiros, técnicos, infraestruturas, entre outros.
O ano que agora se está a iniciar, logo no seu primeiro dia, simboliza o “Dia Mundial da Paz”, como já vem acontecendo desde 1968, que foi instituído pelo Papa Paulo VI em 08 de Dezembro de 1967. É importante que consigamos adquirir a nossa própria paz interior, para a podermos transmitir aos nossos semelhantes. A paz interior também se promove e consolida com o conforto a que temos direito, com a segurança e a estabilidade dos nossos deveres e dos benefícios adquiridos, com um nível e qualidade de vida que a superior condição humana postula.
O povo anónimo espera sinais de confiança no futuro, indicações verdadeiras, seguidas das respetivas medidas, de que este será o ano de nos devolverem os direitos que, ilegitimamente, nos suprimiram, porque não se pode, nem se deve rasgar contratos, que foram subscritos de boa-fé, que se acreditou em pessoas e entidades, como gente/instituições de bem.
 Esta prova tem de ser dada já este ano e, certamente, que se fará tudo para que assim seja, porque de contrário não haverá quaisquer condições para continuarmos a acreditar em quem confiamos a nossa esperança, em quem nos prometeu um futuro melhor, em quem, de boa-fé, apostamos tudo.
A esperança, diz o povo, é a última a morrer. Vamos, portanto, continuar a acreditar, a partir deste primeiro dia do ano de dois mil e catorze. Para o efeito, comecemos, então, por pacificar o nosso espírito, construamos com solidariedade, amizade, lealdade e gratidão o novo edifício de uma comunidade fraterna, onde cada irmão português, bem como todos os que escolheram Portugal como sua nova e/ou segunda pátria, se sintam bem em sua própria casa, reconhecidos, valorizados e incentivados para um futuro de autêntico e irreversível progresso.
Vamos dar, mais uma vez, o benefício da dúvida a todos aqueles irmãos que têm responsabilidades no Governo desta grande casa chamada Portugal, e peçamos a Quem os possa ajudar para que lhes ilumine a inteligência, sensibilize os corações e os fortifique espiritualmente, para tomarem medias acertadas, justas, legítimas e legais, no sentido de honrarem os compromissos assumidos quando se dirigiam aos restantes irmãos, prometendo-lhes respeito, conforto, segurança, estabilidade, trabalho, equidade e dignidade.
Todo o ser humano é falível. Não existem pessoas insubstituíveis. Todos somos iguais perante as leis dos homens e Divinas. É tempo, mais que tempo, para que todos os responsáveis passem a dar-nos alegrias, a proteger-nos da lógica mercantilista, das ambições financeiras para lá do que é legítimo e justo.
A vida é efêmera, passa muito rapidamente e mesmo quando se pensa numa sucessão de gerações, à frente dos grandes negócios mundiais e das instituições, nada garante que tais gerações venham a usufruir do que os seus antepassados lhes deixaram. Ninguém tem a vida nem o destino nas mãos.
Adote-se, portanto, a lógica de uma justiça distributiva, equitativa, legal e segura. Assuma-se que é necessário proteger os mais fracos, aqueles que já não têm recursos físicos, intelectuais e etários para assegurarem um conforto para o qual e de boa-fé apostaram ao longo da vida.
Estimule-se o trabalho para as gerações mais novas. Consolide-se o emprego para os ativos e reintegrem-se todos aqueles que perderam um dos maiores bens que se pode ter, de entre outros, obviamente: o trabalho. Faça-se tudo pela dignidade, por um futuro promissor a que todos temos direito, porque, no limite das exigências naturais, só queremos: saúde, trabalho, justiça, paz, felicidade e a Graça Divina.
 
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
(Presidente da Direção da ARPCA, em Exercício)

domingo, 22 de dezembro de 2013

Natal: Confiança no Futuro


Ano após ano, Natal após Natal, a denominada “Festa da Família” repete-se ao longo dos tempos: com rituais idênticos; votos de esperança em melhores dias; alegrias que se repetem; nostalgias que se agudizam; ofertas que se trocam; brindes que se renovam; tudo isto e muito mais para que o Natal seja, de facto, a festa da união, da paz, da concórdia.
Abordar o Natal numa perspectiva positiva, nos tempos que correm (2013) não é tarefa fácil, considerando as dificuldades que atingem todas as pessoas em geral mas, particularmente, as mais desfavorecidas: económica, financeira e etariamente, sem ignorar, obviamente, aquelas que sofrem dos diversos tipos de exclusão: social, laboral, educacional, habitacional, entre outras, porque, ao contrário do que estabelece a Lei Fundamental Portuguesa: «1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a Lei» (C.R.P., 2004:Artº 13º nº 1), na verdade tudo indica que, realmente, não temos a mesma dignidade enquanto pessoas humanas, sujeitas a deveres e a direitos.
O Natal, apesar da crise em que estamos mergulhados, pode, e deve, ser assumido como uma data referencial, agora mais do que nunca, para pensarmos, com muita esperança, num futuro bem melhor para todas as pessoas, independentemente de estatutos, condição sócio-profissional, política, cultural, religiosa ou de qualquer outra natureza, porque o direito a uma melhor qualidade de vida, a um fim de vida tranquilo, são os mínimos exigíveis para o reconhecimento e vivência da dignidade humana.
Neste ano, tal como nos anteriores, desejo aproveitar a quadra natalícia para apelar à concórdia, à tolerância, ao perdão, obviamente sem que isso implique: “apagarmos” dos nossos “corações” as ofensas de que temos sido vítimas; as desconsiderações de que fomos alvo; a rejeição a que alguém nos tenha votado; os desgostos que sofremos, a partir de atitudes de pessoas a quem nós tanto queríamos.
Na verdade, enquanto estivermos lúcidos, é impossível “branquear” o passado, mas é desejável que queiramos aprender com os erros, com as injustiças que cometemos contra aquelas pessoas que por nós tudo dão, generosamente e, sabermos com humildade, pelo menos, pedir desculpa e tudo fazermos para nos reconciliarmos.
E se por um lado, o ano que agora está prestes a terminar (2013), em Portugal, tem sido marcado por vários acontecimentos importantes, com maior ou menor influência na vida das/os portuguesas/es, sabendo-se que as medidas de austeridade, que atingiram um nível perigosamente gravoso, raramente sentido, em épocas anteriores, têm vindo a levar pessoas, famílias, empresas e instituições diversas, incluindo as de solidariedade social, à depauperização de rendimentos, de património, às falências;
Por outro lado, em contexto de grande crispação, de confrontos verbalmente violentos, em algumas localidades do país, decorreu o processo eleitoral para as autárquicas, no qual se destacou, pela negativa, a fusão injusta, inadequada e infundamentada de centenas de freguesias, cujas populações ficaram à mercê de eleitos de outras localidades, e com isso perderam a sua autonomia, a sua dignidade cívica e a própria auto-estima.
Em todo o caso, é tempo de começarmos a viver o futuro, construirmos o projeto que nos conduza ao sucesso coletivo, assente em princípios, valores e bons sentimentos, que sejam compagináveis com uma nova “Ordem Social e Económica”, para que todos nos sintamos verdadeiramente iguais, atentas as diferenças que, inegavelmente, carateriza cada pessoa em particular.
Para iniciarmos um novo ano, com perspectivas de vida mais positivas, é necessário assumir que: «A vida é alegria e felicidade em ajudar a construir um mundo melhor e mais participativo, com equilíbrio e amor. Por isso a ordem é reprogramar o mundo interior para usufruir da arte de viver e para a reprogramação uma das melhores ferramentas encontra-se nas técnicas parapsicológicas». (FRANCESCHINI, 1996:67).
Na verdade, a vida passa muito rapidamente. É essencial termos a consciência de que não vale a pena cogitarmos, desenvolver e aplicar processos maquiavélicos do tipo “caça-às-bruxas”, apenas para prejudicarmos, humilharmos e “pisarmos” os nossos semelhantes. O ódio, a perseguição e a vingança conforme se semeiam, assim se colhem e não são próprios de pessoas com boa formação e sentimentos nobres.
O Natal, enquanto tempo de reconciliação, de coesão da família, também dos amigos, deve ser aproveitado no seu sentido mais altruísta, deixando de lado as preocupações consumistas, as manifestações de poderio económico, de opulência que, por vezes, até ofendem quem mais precisa, quem nunca teve sorte na vida, apesar de a procurarem. Nem toda a gente é ociosa, aliás, a maioria das pessoas quer uma vida digna pelo trabalho.
É claro que não se defende um Natal miserabilista, um Natal de lamúria, bem pelo contrário, deseja-se um Natal de prosperidade, de intensa alegria, de fundadas esperanças no futuro. A harmonia entre prosperidade e otimismo é fundamental para podermos acreditar em nós próprios, nas nossas capacidades, nos resultados positivos que os nossos projetos nos podem proporcionar.
Neste Natal, o núcleo central para o nosso sucesso no futuro é melhorarmos, no que ainda for possível, a nossa auto-estima, sem o que tudo se tornará mais difícil, na medida em que não seremos capazes de implementar ideias, empreender, arriscar. Acreditarmos na nossa auto-suficiência e auto-respeito, constitui uma atitude para o reforço destes dois pilares da auto-estima.
A quadra natalícia que já se vive intensamente deverá, portanto, ter como foco muito importante o desenvolvimento, o reforço e consolidação da auto-estima considerando esta como sendo: «a disposição da pessoa para se vivenciar com alguém competente para enfrentar os desafios da vida e merecedor da felicidade.» (NATHANIEL BRANDEN, in CLARET, s.d.:20).
O futuro que neste Natal poderemos imaginar passa sempre pela felicidade, qualquer que seja a noção que dela se tiver: seja com bases materiais; seja fundamentada na vivência espiritual; seja considerando estas duas componentes, o que, salvo melhor opinião, se afigura a mais apropriada e caraterística da pessoa verdadeiramente humana.
Perspectivar o futuro, com o realismo que a situação social atual nos apresenta, e com todas as nossas experiências vividas: umas, boas; outras, menos boas, parece ser o mais adequado, na medida em que se deve aprofundar o que vivemos de melhor e rejeitar o que foi menos bom, aprendendo, contudo, com os erros cometidos.
Hoje, já próximo do final do ano de 2013, talvez um dos últimos anos mais dramáticos para os portugueses, devido a um injusto conjunto de medidas fiscais, taxas, sobretaxas, cortes salariais e nas pensões e agravamento das condições de vida, com cerca de vinte e por cento da população a passar fome, poderia ter-se razões para não se acreditar no futuro
Uma tal atitude não resolveria nada, pelo contrário, conduziria ao abandono de sonhos, de projetos, de possíveis sucessos, à depressão e, eventualmente, ao suicídio, por isso, vamos lutar contra todas as adversidades que nos estão a colocar, e que se reconhece não serem inevitabilidades, porque outros caminhos seriam possíveis para sairmos da alegada crise, alegada porque não é sentida da mesma maneira por todas as pessoas.
Importa, neste Natal, refletir em três estratos da população, cada vez mais vulneráveis: jovens desempregados que têm de abandonar o país e a família; adultos, ainda em idade produtiva, sem emprego e sem perspetivas de voltarem ao mercado de trabalho e idosos que estão a ser expropriados dos seus mais elementares direitos, adquiridos durante uma longa existência de trabalho e de contributos, mas que agora, no final das suas vidas, sentem uma redução drástica nos seus rendimentos, logo na qualidade de vida a que tinham direito, com toda a dignidade humana.
Por isso, neste Natal, vamos acreditar que seremos capazes de construir uma sociedade e um futuro mais justos, mais prósperos e mais solidários. Não podemos ignorar que somos pessoas humanas e que, conforme começamos esta reflexão: «Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a Lei» (C.R.P., 2004:Artº 13º nº 1), assim a desejamos concluir.

Bibliografia

CLARET, Martin, (s.d.). O Poder da Auto-Estima. São Paulo: Editora Martin Claret
FRANCESCHINI, Válter, (1996). Os Caminhos do Sucesso. 2ª Edição, Revista e Ampliada. São Paulo: Scortecci
ROMÃO, Cesar, (2000). Fábrica de Gente. Lições de vida e administração com capital humano. São Paulo: Mandarim.
VIANA, Marco Aurélio Ferreira, & VELASCO, Sérgio Duarte, (1998). Futuro: Prepara-se. Cenários e Tendências para um Mundo de Oportunidades. 3ª Edição. São Paulo: Editora Gente.

O Presidente da ARPCA, em Exercício,
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo