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domingo, 5 de julho de 2015

O Aniversário.


Todos os dias do ano, são suscetíveis de terem uma conotação a um acontecimento: seja pessoal, familiar, comunitário, universal, histórico, científico; ou de qualquer outra natureza, porque sempre há um motivo para se comemorar um facto, em ambiente mais restrito e privado ou alargado e público.

Aniversários acontecem, portanto, todos os dias, pelas melhores ou piores razões como por exemplo: comemorar o dia mundial da paz, a declaração universal dos direitos humanos; ou recordar o holocausto, as duas grandes guerras mundiais, respetivamente. Lembrar as vitórias bélicas, que durante a monarquia tivemos, e também as derrotas que nos foram infligidas, como a de Alcácer Quibir, enfim, haverá sempre uma razão para a alegria e a tristeza em determinados dias do ano.

No domínio pessoal, é verdade que se solenizam diversos dias durante o mesmo ano: o nascimento e a morte; o casamento e a separação; o batismo e outros sacramentos; o primeiro emprego e a reforma; a entrada para a escola e a conclusão de um curso superior; o ingresso nas Forças Armadas ou de Segurança e o desenvolvimento de toda uma carreira.

Cada um daqueles acontecimentos, é marcado por uma data, que se procura festejar com alegria ou recordar com saudade e dor. Os aniversários são, portanto, marcos indeléveis nas histórias das pessoas, da sociedade e do mundo, que não devem deixar de ser recordados, por muito que isso custe, na medida em que, os factos menos bons, podem ajudar-nos a melhorar no futuro as mentalidades, os comportamentos e conseguir-se viver num mundo mais equilibrado e pacífico.

Aniversários pessoais de natureza natalícia, normalmente, são os mais festejados enquanto os aniversariantes estão vivos, eles próprios, na maior parte das vezes, a participarem ativamente, com imensa alegria naqueles momentos que lhe são atribuídos, ao longo desse mesmo dia.

Neste, cinco de Julho, pretendo abordar o aniversário natalício porque, normalmente, é aquele que cada pessoa em particular, a família e os amigos em geral, mais rejubilam, se encontram em alegres convívios, precisamente, para comemorar mais um ano de vida (para os pessimistas/realistas, menos um ano para chegarem ao limite da linha existencial).

Há quem relacione, muito estreitamente, a data do seu aniversário com um determinado signo do Zodíaco e procure enaltecer as melhores características, ignorando e/ou desvalorizando os aspetos mais negativos, todavia, como quer que  seja, todos os signos apresentam uma dimensão positiva, e as pessoas que dele fazem parte, como que se sentem mais avalizadas, eventualmente, com uma autoestima mais elevada.

Nas primeiras três semanas deste mês de Julho, o signo do “Caranguejo” ou também designado por “Câncer” é o que prevalece. As pessoas nascidas em “Câncer” e segundo os estudiosos destas matérias, apresentam as seguintes características:

«Descrição de Câncer. O caráter de um canceriano é o menos claro de todos os signos do zodíaco. Um canceriano pode ser de tímido e aborrecido a brilhante e famoso. Os cancerianos são conservadores e adoram a segurança e o calor do lar. De fato, para os homens de Câncer o lar é como um ninho, um refúgio para onde ir quando o estresse do trabalho é demasiado. A casa de um canceriano tende a ser seu refúgio pessoal mais do que uma vitrine para deslumbrar aos demais.

Um canceriano entende que há momentos para ser sociável e outros momentos para ser solitário. Isto é uma das contradições em seu caráter. Desde fora parecem decididos, resistentes, teimosos, tenazes, energéticos, sábios e intuitivos.

Não obstante, os que lhes conhecem desde a intimidade podem ver um tipo de pessoa totalmente diferente - alguém sensível, sobretudo com as pessoas de quem gosta. Os cancerianos sabem identificar-se com a situação dos outros por sua grande capacidade imaginativa. Às vezes são fantasiosos demais e pretendem construir a vida segundo um ideal romântico. Gostam de arte, música e literatura, sobretudo de artes dramáticas e de ação.

Os cancerianos possuem um talento literário ou artístico considerável. Seu caminho pessoal consiste em reconciliar seu conflito interno. Por um lado, lhes encanta ser extrovertidos; por outro, têm tendência a retrair-se. Quando conseguem conciliar ambos os lados são capazes de inspirar toda uma geração, sobretudo os jovens, com suas ideias.

O canceriano tem uma memória excelente, sobretudo para acontecimentos pessoais e recordações da infância, que são capazes de lembrar com o máximo detalhe. Os cancerianos vivem condicionados por suas recordações do passado e por sua imaginação sobre o futuro.

O signo de Câncer tem muitos defeitos potenciais. Podem ter uma tendência à desordem, um complexo de inferioridade. Sentem-se iludidos com frequência, e muitas vezes por causas imaginadas, sem fundamento real, e adoram receber afagos. São ambiciosos. Podem mudar sem dificuldade de profissão, de lealdade e inclusive de opinião sobre as pessoas.

Câncer e o trabalho. Sua grande capacidade faz com que o canceriano possa ter sucesso em qualquer tipo de profissão. Interessam-lhe as opiniões dos demais e podem chegar a ser excelentes jornalistas, escritores ou políticos (ainda que seja possível que mudem de afiliação em algum momento). Podem trabalhar no setor público com sucesso. As pessoas de Câncer são muito apegadas ao lar, e isto lhes ajuda a ser grandes cozinheiros ou donas de casa. Também são bons gestores.

Câncer e as relações pessoais. Em suas relações pessoais os cancerianos são uma mistura de força e suavidade. Na vida real e em suas relações sentimentais, seu amor é intensamente leal. Ainda que tenham relações extraconjugais (o que é muito possível, porque os cancerianos, sobretudo os homens, estão abertos à excitação sensual), sua primeira responsabilidade é com sua esposa e sua família, porque o consideram seu protetor. Os cancerianos amam incondicionalmente. Também são amigos fiéis. (in http://www.euroresidentes.com/portugues/signos-do-zodiaco/cancer.htm em 01.07.2015).

Independentemente do valor científico, ou não, destas descrições, a verdade é que muitas pessoas acreditam, piamente, que reúnem as condições referenciadas no seu signo, principalmente as boas qualidades, contudo, não se pode afirmar inequívoca e taxativamente, o que estará certo ou errado, sendo importante, apesar de tudo, que as pessoas se sintam felizes.

Os aniversários natalícios permitem, portanto, conjugar uma série de fatores que proporcionam pelo menos, alguns momentos de confraternização, por vezes, esquecer problemas anteriores, adiar preocupações futuras, estabelecer relações, entretanto interrompidas, reatar amizades antigas, e/ou conquistar novos amigos e, em determinadas circunstâncias, muito específicas, até se geram novas redes sociais, novos laços de relacionamentos, novas oportunidades de vida.

É claro que os aniversários natalícios também comportam uma vertente mais materialista, consubstanciada na oferta de prendas, ao aniversariante que, naturalmente e de uma forma geral aceita e agradece, sendo que tais presentes, os mais diversificados, podem atingir valores monetários elevadíssimos, como também valores incalculáveis de estimação.

Mas um aniversário natalício não é apenas um tempo de confraternização e de oferta de prendas, porque deverá comportar uma reflexão profunda sobre o que se fez no último ano, ou desde a comemoração do aniversário anterior, separar o que correu bem, do que foi mais negativo para, no futuro, se poderem corrigir, com toda a humildade, os erros cometidos e melhorar o que já tinha sido bem feito.

Neste cinco de Julho, mais um ano se passou, com dias melhores e outros menos bons. Nunca estamos satisfeitos, mas há situações que bem poderíamos dispensar, como as que se relacionam com a doença, o desemprego, a fome, a miséria, os conflitos. Que poderemos fazer, no dia do nosso aniversário, para minimizar tais conjunturas? Como colaborar, e com quem, para que o nosso aniversário não seja ofuscado pelas tragédias naturais ou as que são provocadas pelo ser humano, por esse mundo fora?

É óbvio que o facto de estarmos vivos, com saúde, com trabalho, é motivo suficiente para festejarmos o aniversário natalício mas, em certos contextos, talvez com um pouco mais de moderação, de simplicidade, de probidade, porque naqueles momentos da nossa euforia, milhões de outros seres humanos, estão a sofrer.

Naturalmente, e para quem é crente, deve-se dar Graças a Deus por mais um ano de existência e, se durante este período, a vida nos correu bem, mais razões teremos para estarmos agradecidos, assim como a quem nos tem ajudado: seja com apoio moral; seja com auxílio material. Neste dia de festa de aniversário, não é descabido refletir sobre o passado, como é legítimo perspetivar o futuro.

Festejar o aniversário natalício com a família, com os amigos verdadeiros, num ambiente de total sinceridade, é um acontecimento inolvidável, que deve ser registado com muito carinho, também com respeito e amizade ilimitada, porque é neste conjunto de bons princípios, valores, sentimentos e emoções que a “festa” tem o seu ponto alto. Digamos que a dignidade reside na conciliação e harmonia de todos os convivas.

Mas, nas festas de aniversários natalícios, por vezes também se cometem excessos: seja de ingestão de alimentos e bebidas; seja na linguagem e gestos que, ao mínimo descuido, assumem proporções que conduzem à ofensa dos presentes em geral, e do aniversariante em particular. O facto de se estar num convívio, com alegria e boa disposição, não deve, nem pode, ser motivo para que o ambiente festivo descambe para qualquer tipo de violência, física ou verbal que, a acontecer, causaria muita tristeza.

O aniversário natalício é uma data única, que se repete em cada ano, que deve ser festejada sim, cada vez com mais alegria e também sobriedade, que honre a condição superior do aniversariante, que estimule a sua autoestima e reforce as amizades. Trata-se de um dia que, por muitos anos, na maioria das pessoas, é festejado, mas que, mais tarde, também será recordado, com saudade, pelos entes mais queridos, daquele que foi nosso familiar e/ou amigo.

Cinco de julho, é o meu dia, o qual dedico com total amor à minha família nuclear, também com grande amizade à minha restante família e amigos verdadeiros, que desejo recordar enquanto as faculdades mentais me permitirem. Neste cinco de Julho, as prendas que realmente mais desejo são: a saúde, o amor/amizade, o trabalho, a paz, a felicidade e a Graça de Deus, porque o restante, seja lá o que for, virá sempre por acréscimo, seja para o bem, seja para o mal.

No conjunto de muitos “cinco de Julho”, tenho tido a ventura de sempre comemorar esta data em família, com um ou outro amigo, que me presenteiam com as suas presenças agradáveis e sinceras, por isso, nada mais importa do que ter à nossa volta, nos festejos dos nossos aniversários, a família e os bons e incondicionais amigos, verdadeiros e puros. Isto sim, é o mais importante em qualquer aniversário.

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente da Direcção da ARPCA

domingo, 7 de junho de 2015

Alavancas da Motivação


O mundo do trabalho encontra-se em profunda transformação, a vários títulos, com objetivos bem determinados e alterações significativas nos valores que são adotados pelas Instituições empregadoras. Tradicionalmente tem-se atribuído grande importância ao perfil intelectual e à formação académica a esta se associando o prestígio da Escola onde se obteve uma determinada formação.
Importante para a obtenção de trabalho/emprego era o Curriculum Vitae com referência às escolas de renome nacional e/ou internacional frequentadas, indicação de testes psicométricos com altas percentagens de QI (Quoeficiente de Inteligência).
Outra mudança de relevo, do paradigma até agora vigente, verifica-se no facto de em vez de se dar mais importância às características do cargo, ou do trabalho, passou-se a dar mais destaque às características das pessoas que fazem bem o trabalho.
Nesse sentido: «Precisam estar atentos para esta nova realidade os profissionais que actuam em administração de recursos humanos, os gestores de pessoas (gerentes, chefes, supervisores) assim como quem orienta carreiras profissionais e ainda, e de modo especial, os próprios profissionais que cogitam de planejar ou rever suas carreiras.» (RESENDE, 2000:16).
Uma das principais teorias da motivação humana, elaborada por Abraham Maslow, é construída na lei da necessidade cujo percurso se pode indicar a partir das necessidades ou carências, ações, objectivo/satisfação das necessidades. As pessoas procuram, sempre que podem, satisfizer uma ou mais das necessidades fisiológicas, segurança, sociais, estima ou afeto e realização. Pelo atendimento às necessidades, as pessoas procuram conforto, manifestação dos seus anseios e sentimentos, progredir na vida, prosperidade, poder, sabedoria, paz e felicidade.
Quaisquer que sejam as atividades profissionais, as disciplinas que as estruturam, os meios que se utilizam e as técnicas implementadas, o objetivo fundamental é atingir-se um resultado, expresso numa quantidade, com qualidade e num contexto de crescente competitividade.
Hoje, tanto ou mais do que academismos, teorizações, ilustração, exige-se uma valência que vem aumentando de importância e se torna indispensável às organizações públicas e privadas, independentemente da área de intervenção e atividade desenvolvida sendo referida como requisito essencial, na maioria das ofertas de emprego: COMPETÊNCIA.
A necessidade, determinação, imposição ou urgência de se alcançarem objectivos: materiais, morais, políticos, religiosos, éticos e quaisquer outros, em todas as atividades, sugerem uma atitude cada vez mais pragmática, no sentido de se ser prático, concreto, determinado.
O avanço da ciência, da tecnologia e da globalização, que em muitos setores profissionais e no domínio da economia já se verificam, impõe comportamentos de rigor, de produtividade, de concorrência, de flexibilidade, de mobilidade, e, mais recentemente, de “flexigurança”. Para vencer este surto desenvolvimentista, pessoas, organizações e sistemas têm de ser competentes.
COMPETÊNCIA – Vários são os conceitos de competência como por exemplo: «Capacidade de quem é capaz de apreciar e resolver certo assunto, fazer determinada coisa»; «Atributos pessoais que distinguem pessoas de altas performances de outras, num mesmo trabalho»; «Pessoas competentes são aquelas que obtêm resultados no trabalho, nos empreendimentos, utilizando conhecimentos e habilidades adequados». Em síntese, pode-se aceitar uma conceptualização mais alargada e enriquecedora: «Competência é a transformação de conhecimentos, aptidões, habilidades, interesse, vontade, etc., em resultados práticos. Ter conhecimentos e experiencia e não saber aplicá-los em favor de um objectivo, de uma necessidade, de um compromisso, significa não ser competente, no sentido aqui destacado.» (Ibid.:30-32).
Na mudança de paradigmas em curso, verifica-se que o que ontem era verdade absoluta ou até dogmática, hoje pode não o ser, pelo menos com tanta certeza, ou convicção inabalável, em relação a algumas delas. Têm-se notado profundas e universais mudanças de paradigmas, em todos os domínios, da atividade humana e organizacional: a) Fusão de empresas, antes rivais; b) Unificação de países em grandes blocos económico-políticos; c) Convivência de ideologias económicas opostas – socialismo-capitalismo; d) Evolução do amadorismo para o profissionalismo; e) Mudanças nas características e relações de trabalho.
Justifica-se, agora, a valorização da competência que terá profunda influência nos destinos das organizações, nas carreiras das pessoas e, neste contexto, o conceito paradigmático de competência assume uma nova dimensão e significado: a) A competência será mais prestigiada do que a erudição; b) A competência será o atributo mais importante das pessoas; c) As referências mais importantes para a remuneração ou promoção das pessoas nas organizações não serão mais tempo de casa (antiguidade) ou escolaridade, mas sim competências e habilidades; d) As expressões: competência emocional, competência espiritual e competência de cidadania, por exemplo, são novas formas de ver e conceituar estas maneiras de ser, manifestar e agir das pessoas, em quaisquer situações da vida em sociedade.
Evidentemente que a formação teórico-académica, ao mais alto nível, não pode ser descurada, bem pelo contrário, as habilitações académicas, a investigação e as tecnologias são imprescindíveis para melhor se estruturarem e aplicarem racional e eficazmente os conhecimentos, ajudar a criatividade e a inovação e rentabilizar os recursos disponíveis, respetivamente.
O que se pretende transmitir é a ideia de que, de ora em diante, ninguém pode viver o resto da vida rodeado pela auréola de um diploma, de um qualquer curso superior, sem se manter em permanente formação científica e técnica.
Entre as diversas aspirações das pessoas, uma delas é dispor de oportunidades para crescer, desenvolver suas carreiras profissionais e por isso, de um modo muito especial, as pessoas querem saber como e o que precisam fazer para evoluir em suas carreiras.
Por outro lado, também se conhece que as organizações que têm feito um pouco mais e melhor, em favor do planeamento e administração de carreira, são as empresas mais evoluídas em gestão de recursos humanos, ainda que fiquem bastante aquém do que seria desejável, principalmente, porque: a) Teme-se as consequências salariais das carreiras; b) Políticas e critérios frágeis de promoção de pessoal; c) Excesso de paternalismo gerencial; d) Falta de instrumentos mais precisos para avaliação do potencial (competências e habilidades); e) Despreparo dos profissionais da área de Recursos Humanos nessa matéria.
Atualmente as pessoas passam entre oito a dez horas diárias no trabalho e, por essa razão, precisam se empenhar na busca da satisfação através das suas atividades profissionais. Indivíduos, profissionais e empresas precisam desenvolver condições e recursos para saberem identificar e ajustar suas competências às das atividades que desenvolvem, e assim garantirem o sucesso dos seus objectivos de vida e negócio.
Uma boa referência para orientar as pessoas a compatibilizarem os seus interesses e características pessoais às atividades profissionais e empreendimentos é a teoria de “Âncoras de Carreira”, acreditando-se que a maioria das pessoas se poderá enquadrar numa delas, e que, na medida do desenvolvimento do seu autoconceito ou autoconhecimento, elas poderão harmonizar melhor os seus talentos, motivos e valores. Consideram-se por isso as seguintes Âncoras de Carreira: 1) Segurança e estabilidade; 2) Autonomia e Independência; 3) Criatividade e capacidade empreendedora; 4) Competência técnica e profissional; 5. Aptidão ou habilidade administrativa.
Cada vez mais as novas organizações de trabalho nas empresas estão requerendo que as pessoas sejam multifuncionais ou polivalentes, que exerçam atividades com uma dimensão mais abrangente e com associação a diferentes especialidades: «O ser humano tem inato o potencial de ser versátil e adaptativo. Com treino e prática, não haverá dificuldade para ser mulfifuncional. Ainda que se possam estabelecer diferentes graus de polivalência. (…) Porém, mesmo sendo multi-especialistas ou multifuncionais, sempre haverá uma âncora principal que deve ser considerada para que as pessoas se realizem melhor e se satisfaçam mais no trabalho.» (Ibid.:118).

Bibliografia

RESENDE, Enio, (2000). O Livro das Competências. Desenvolvimento das Competências: A melhor Auto-Ajuda para Pessoas, Organizações e Sociedade. Rio de Janeiro: Qualitymark
 
O Presidente da Direção,
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
925 935 946

domingo, 10 de maio de 2015

Tempo Mariano


Entre as várias e muitas características do povo português, ainda e por enquanto, maioritariamente católico, é a sua Fé na Virgem de Fátima, a cujo Santuário acorrem, diariamente, em número relativamente significativo, aumentando aos fins-de-semana, tendo o seu expoente máximo nos meses de Maio, Outubro e Agosto, porque se celebram as aparições e no verão é quando se regista o maior número de emigrantes portugueses e peregrinos de outras nacionalidades, respetivamente, com destaque para os brasileiros.

Os portugueses, na verdade, são um povo crente e o apego a Deus e aos Santos verifica-se a cada momento, nas mais diversas e complexas circunstâncias, de tal forma que, mesmo algumas daquelas pessoas que se autointitulam de não-crentes, agnósticas, ateias e outras posições, algumas das quais de duvidosa consistência religiosa, na verdade e quando em situações de grande desespero pessoal, familiar ou outra, no limite, sempre acabam por pronunciar, pelo menos, o nome de Deus: “Vala-me Deus”; “Deus me acuda”, ou de uma figura santificada: “Nossa Senhora me defenda, proferindo, portanto, o nome da/o santa/o a quem podem ajuda em troco, muitas vezes, do cumprimento de uma promessa.

Escusado será referir que toda e qualquer pessoa bem-formada, acatadora das ideias, convicções e comportamentos do seu semelhante, a atitude mais adequada é a de total respeito pela religião professada, concordando, ou não, partindo, sempre, do princípio que não existe radicalismo, fundamentalismo e ações violentas, por parte de quem se diz praticante de uma dada confissão religiosa.

Numa sociedade democrática, na qual a liberdade de expressão e de religião são direitos consagrados constitucionalmente, na respetiva Lei Fundamental, eles, os direitos, devem ser escrupulosamente exercidos, com equilíbrio, moderação e igual respeito pelas posições daquelas pessoas que, não sendo crentes, nem professando nenhuma religião, acatam, contudo, o comportamento dos crentes católicos, neste caso e em geral, mas também de outras confissões religiosas.

Em Portugal, o Mês de Maio está consagrado como sendo um período “Mariano”, dedicado a Nossa Senhora de Fátima, porque foi em treze de Maio de mil novecentos e dezassete que teria ocorrido a primeira aparição da Virgem aos três pastorinhos: Lúcia, Jacinta e Francisco, na Cova da Iria, em Fátima, para, em Outubro do mesmo ano, nova aparição se ter repetido.

De então para cá, a Fé, a devoção e o apego à Senhora de Fátima evoluíram exponencialmente, de tal forma que: quer as instalações anexas à Capelinha das Aparições, como o imponente Santuário Mariano, quer as infraestruturas instaladas para acolher os peregrinos, quer as vias de comunicação e acesso, quer, ainda, a indústria hoteleira e de restauração, bem como o turismo religioso, beneficiaram de um incremento jamais equiparável noutras localidades portuguesas, em tão pouco tempo, o que não retira as convicções de quem recorre a Nossa Senhora de Fátima, em situações de maior aflição na vida e/ou para agradecer alguma “Graça” recebida, e isso tem de se respeitar.

O Mês Mariano em Portugal é de grande veneração a Nossa Senhora de Fátima, praticamente em todas as aldeias, vilas e cidades do país. As peregrinações a Fátima, seja de transporte motorizado, seja a pé, partindo de qualquer recando do país, ou do estrangeiro, são às centenas de milhares de crentes que vão à Cova da Iria para: pagar promessas, pedir ajuda e manifestar à Santa a sua Fé e Fidelidade.

Quem entra no recinto do Santuário de Fátima, imediatamente sente-se como que num mundo celestial de serenidade, de transcendência, de proteção e de mistério. Os receios da vida como que desaparecem, para darem lugar a uma confiança imensa, uma segurança que nos deixa mais fortes, uma Fé que se renova, à medida que caminharmos para a Capelinha das Aparições e depois para a Basílica. Igual sensação de bem-estar, quando se visita a Igreja da Santíssima Trindade. Enfim, um mundo “Sobrenatural” que nos leva ao recolhimento.

Maio Mariano, assim poderemos qualificar estes trinta e um dias de Oração, de Fé, de Peregrinação, de tentativa de realização de desejos e cumprimento das promessas. Os crentes, em geral; e os devotos de Nossa Senhora de Fátima, em particular, devem sentir-se orgulhosos, privilegiados, por poderem vivenciar experiências tão íntimas, misteriosas e salvíficas, na medida em que: é uma Graça Divina termos do nosso lado, a Senhora de Fátima.

Há quem desvalorize, eventualmente, ridicularize estes sentimentos religiosos. Também existem outras pessoas que rotulam os crentes de “ignorantes”, “atrasados mentais”, “superpersticiosos” e outros epítetos que acabam, até, por ser difamatórios, mas que qualificam bem: a formação, a educação, os princípios, os valores, os sentimentos e o caráter de quem os produz.

Ao longo da História da Humanidade, a religião sempre foi uma dimensão incontornável da pessoa verdadeiramente humana, que a distingue dos restantes seres da natureza e, também é verdade que: mulheres e homens, figuras ímpares, no mundo de milénios de anos, se revelaram de incomensurável importância, pela inteligência, atitudes altruístas, mártires; como também houve quem, pela ideologia maquiavélica, produzisse os maiores horrores do mundo.

Defender a religião, no respeito pela laicidade de cada pessoa e instituição, é uma atitude que se deve considerar como fazendo parte de uma cultura mais global que, de alguma forma, nos enriquece, espiritual e moralmente, quando praticada com equilíbrio, isenção, convicção e Fé. Não se pode, nem deve, defender qualquer tipo de sectarismos, seja ele religioso ou antirreligioso, porque cada pessoa tem, ou não, a sua Fé, as suas crenças e, acredita, ou não, numa vida eterna.

Comemorar o “Treze de Maio”, em Portugal, é festejar o que de mais sublime, misterioso e inefável se pode fazer, sem preconceitos de qualquer tipo de inferioridade, ou superioridade, porque a Fé alimenta-nos o espírito como a ciência nos enriquece a inteligência e nos conduz ao desenvolvimento material, mas estas duas dimensões nos distinguem dos demais animais e, sem qualquer complexo, até se podem complementar, enriquecendo-se, reciprocamente.

Cabe aqui uma alusão a todas as pessoas que têm a felicidade de, neste dia, comemorar algo de importante nas suas vidas: um aniversário natalício; a realização de um projeto; a obtenção de um emprego; a conquista de um grande amor; a recuperação da saúde; a restauração da felicidade, enfim, que este “Treze de Maio” seja um dia marcante na vida dessas pessoas e que Nossa Senhora de Fátima as proteja, as acompanhe, ilumine suas vidas, suas consciências, suas inteligências, bem como de seus familiares.

Neste Mês Mariano, nós, os crentes e devotos de Nossa Senhora de Fátima, queremos unirmos aos nossos irmãos em Cristo para, todos juntos, rogarmos que, por interceção da Virgem Maria, possamos viver em fraternidade, sem quaisquer discriminações negativas, uns em relação aos outros, porque em boa verdade, acreditamos que a nossa diferença e, possivelmente, superioridade, em relação à restante natureza: animal, vegetal e mineral, reside, precisamente, nesta misteriosa dimensão que a Fé religiosa nos confere.

O mês de Maio em Portugal e, muito especificamente o dia “Treze” é para ser festejado, crentes e não-crentes, devotos de Nossa Senhora de Fátima, com aquelas pessoas que, não acreditando na sua própria natureza espiritual, tenham a possibilidade, e a boa-vontade de, pelo menos, meditar no Ser Transcendente que nos governa e na santificação de quem já passou por este mundo terreno e deu exemplos de grande abnegação, altruísmo e amor ao próximo.

Maria, Mãe Redentora, enaltecida neste “Treze de Maio”, protegei as nossas crianças que, neste dia, tiveram o privilégio de nascer; mas protegei, também, todas as outras criaturas: jovens, adultos e idosos; as famílias e amigos; as instituições; sensibilizai todas as pessoas mais velhas, que não são crentes, para que ingressem no caminho que conduz à salvação do espírito, porque para lá do corpo físico, certamente, teremos uma outra natureza espiritual, encantadora, que mais nenhum outro ser, provavelmente, terá. Glorifiquemos, portanto, MARIA.


O Presidente da Direção,

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
925 935 946

 

 

 

sexta-feira, 1 de maio de 2015

O Trabalhador na sua Dignidade


A sociedade, considerada nas suas diferentes dimensões: política, religiosa, económica, financeira, empresarial, territorial, cultural, lazer e laboral, entre outras, seguramente que não estaria organizada, hierarquizada e estratificada como hoje a conhecemos e analisamos, se não fosse o esforço permanente do ser humano, no estudo, planificação, aplicação de técnicas e tecnologias e avanço progressivo e sustentável, para a melhoria contínua da qualidade de vida das pessoas.

Sensivelmente que cerca de metade de todas as pessoas, que constituem a sociedade humana organizada, desenvolve uma atividade produtiva, colaborando, assim, para o desenvolvimento do todo, tendo por obrigação apoiar aquela faixa etária que já deu o seu contributo, bem como preparar os mais jovens para, mais tarde, eles assumirem as diferentes funções que são necessárias, a fim de que haja uma progressão sustentável do bem-comum e que, igualmente, a felicidade, na sua vertente de satisfação de bem-estar material e espiritual, seja uma realidade.

Será, praticamente, impossível, conceber uma sociedade organizada, em permanente desenvolvimento, sem o contributo daquelas pessoas que exercem funções em diferentes áreas de atividade: da saúde à educação; do trabalho à formação; da política à religião; da cultura ao lazer; da economia à finança; do empreendedorismo ao investimento; entre muitos outros domínios contributivos para o bem-estar e conforto das populações.

Os “Dias Nacionais”, “Internacionais” e “Mundiais”, a propósito de um qualquer evento, sucedem-se, diariamente. O “Primeiro de Maio”, por exemplo, está consagrado ao Trabalhador, qualquer que seja a sua atividade e, acrescenta-se, do ponto de vista do autor, independentemente de estatuto académico-profissional, na medida em que, quem se dedica a uma laboração, sempre acaba por produzir alguma coisa que, mais ou menos, interessa à sociedade de consumo.

E se as instituições, proprietários, empresários e líderes são necessários, assim como os recursos técnicos, tecnológicos, financeiros e infraestruturais diversos, igualmente é verdade que o capital humano se torna imprescindível, por mais máquinas que se inventem e utilizem, porque a inteligência das pessoas é insubstituível e o trabalho por elas realizado é, seguramente, indispensável.

A sociedade mundial laboral, em geral; e a comunidade portuguesa, em particular, vivem um período conturbado, porque os níveis de desemprego atingem percentuais muito elevados, colocando em causa: não só a estabilidade económico-financeira das famílias; como também a consolidação da autonomia e dignidade que devem assistir a toda a pessoa, verdadeiramente humana.

Por outro lado, ainda se verificam situações inaceitavelmente degradantes para muitos milhões de trabalhadores, em todo o mundo, desde logo a começar naqueles que, para escaparem ao desemprego, à fome, à miséria e, no limite, ao suicídio, se vêm obrigados a emigrar, sendo, em muitos casos, mal recebidos, mal tratados e, alguns deles, expatriados.

É evidente que a responsabilidade por estas situações de desemprego, que muitas vezes conduzem à desgraça de famílias inteiras, pode ser repartida, quem sabe, em três quotas-partes: a muitos Governos, que deveriam ter melhores políticas sociais de emprego, devidamente sustentáveis; a algumas Empresas que apenas buscam, gananciosamente, lucros exorbitantes, sem olhar a meios, despedindo pessoal, que é substituído por máquinas; finalmente, muitos dos próprios potenciais Trabalhadores que, em muitos casos, não querem trabalhar, embora tenham saúde e capacidades físicas, psicológicas, intelectuais e profissionais, não o fazendo porque, eventualmente, estarão a receber subsídios sociais.

Neste “Dia Mundial do Trabalhador”, é oportuno que as entidades responsáveis proporcionem à sua população desempregada, independentemente da idade, habilitações e profissão, as condições necessárias e suficientes para que o trabalho seja uma realidade que valoriza e dignifica a pessoa humana, ainda que através de ocupações ao nível da melhoria das habilitações literárias e formação.

Em Portugal têm sido criados milhares de postos de trabalho, é verdade, principalmente no setor privado. Também a emigração de portugueses tem contribuído para uma redução do desemprego, ainda que relativamente baixa. Mas, em bom rigor, ninguém pode negar que foram eliminados milhares de empregos: quer no setor público; quer na atividade empresarial privada.

A criação de algumas micro e pequenas empresas tem ajudado a reduzir o impacto negativo, que este flagelo do desemprego tem provocado na população portuguesa, com destaque para os jovens, onde a taxa de desocupados é altíssima, não obstante as elevadas qualificações académicas e científicas que possuem.

Apesar de alguma alegada evolução, parcial e timidamente animadora, a verdade é que o próprio Estado não tem respeitado os trabalhadores do seu próprio país (como igualmente os imigrantes que nos procuram) e, a título meramente ilustrativo, analise-se o que se verificou em dois mil e doze, com o despedimento de dezenas de milhares de formadores, técnicos de educação, assistentes administrativos, coordenadores pedagógicos e gestores de formação, que vinham trabalhando, desde há vários anos, no projeto “Novas Oportunidades”, Cursos de Educação e Formação de Adultos e Jovens, Formações Modulares. A esmagadora maioria daqueles profissionais, nunca mais voltaram ao mercado de trabalho.

A decisão governamental de dois mil e doze, atingiu, também, centenas de milhares de portugueses, que tinham na Qualificação Académica e Profissional a oportunidade para melhorarem as suas condições de empregabilidade, de prosseguirem, com sucesso, as suas carreiras profissionais, concorrerem a novos empregos, elevarem a sua autoestima, a dignidade e prestígio para Portugal, resultando que a esmagadora maioria destas pessoas, não conseguiram entrar no mundo do trabalho: seja por falta de habilitações; seja por carência de formação.

Idênticas medidas gravosas têm-se verificado noutros setores: na educação, são aos milhares os professores que ficaram sem colocação e estão na situação de desemprego; na Segurança Social; em muitas empresas privadas; enfim, uma verdadeira destruição de postos de trabalho, tudo em nome de uma injusta e desnecessária “austeridade”, nos moldes em que foi realizada, retirando direitos adquiridos ao longo de uma vida de trabalho.

No setor privado, juntamente com o público e empresarial do Estado e na maioria das Autarquias Locais, o desemprego também “disparou” em flecha, chegando a atingir um valor superior a dezassete por cento, valor que é inadmissível e extremamente injusto, (registe-se, aqui e agora, algumas exceções a nível de Câmaras Municipais, em que Caminha, é um bom exemplo, já em dois mil e catorze/quinze, se verificou um aumento substancial de postos de trabalho).

Nenhum país, nenhuma empresa podem abdicar da sua mão-de-obra que, no caso português, é cada vez mais qualificada, das melhores do mundo, porém, tão subaproveitada que, inclusivamente, já foi aconselhada a emigrar, depois do país, através dos seus contribuintes, ter investido, e bem, milhões de euros na formação dos seus jovens e de milhares de adultos.

Celebrar, em Portugal, o “Dia do Trabalhador”, pode parecer um absurdo, uma encenação do “faz de conta que tudo está muito bem”, todavia, os nossos trabalhadores que: estão no desemprego, às centenas de milhares; outras centenas de milhares que não recebem qualquer apoio social; outras tantas centenas de milhares que viram muitos dos seus direitos, entretanto adquiridos, alguns deles no tempo da ditadura, serem-lhes retirados; enfim, sem se querer ser pessimista, temos de ser realistas, esta é que é verdade que temos de debater neste dia tão propalado, como em todos os restantes dias do ano.

O “Primeiro de Maio” de dois mil e quinze, vai ser celebrado pelos trabalhadores, pelos seus representantes, certamente, com as mais diversas manifestações, com críticas às políticas governamentais, mas também com discursos oficiais do Poder Instituído, estes a roçarem a eventual demagogia das campanhas eleitorais, em que tudo se promete e, no dia seguinte à tomada de posse, tudo se nega, tudo se confunde, tudo se “baralha” para “dar de novo”, daí a quatro anos.

Neste “Dia do Trabalhador”, assuma-se, apesar de tudo, uma atitude construtiva, de esperança, de renovação, de credibilização das políticas sociais, económicas, financeiras, da saúde, da justiça, da educação e da formação, porque quanto mais instruído for um povo, mais produtivos e responsáveis serão os seus trabalhadores, que apenas e tão só, desejam trabalhar, com segurança, com futuro, para eles, para os seus filhos e, se possível, ainda poderem apoiar os seus progenitores, hoje, a maior parte deles aposentados, substancialmente despojados dos direitos que, ao longo de uma vida de trabalho e sacrifícios, conseguiram.

Neste “Dia do Trabalhador”, que se “cantem” hinos ao respeito por quem trabalha, porque tem está desempregado, por quem já trabalhou, por quem teve de (i)-emigrar. Que se celebre com pompa e circunstância, sim senhor, a Dignidade do Trabalhador, do Reformado, do Desempregado e do (I)-Emigrante, das mulheres e homens que, com a força do seu trabalho, constroem, ainda com alguma Esperança um país mais Justo e Humanista.

O Presidente da Direção,
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

 

 

 

domingo, 5 de abril de 2015

Páscoa: Festa da Alegria e da Esperança


Cada evento comemorativo, tem sempre uma determinada carga simbólica, e é dedicado a um acontecimento na vida de uma pessoa, de uma família, de uma organização, de um país ou a nível mundial. Participar em tais eventos é uma atitude que, salvo determinações impositivas, por instituição competente, fica ao critério de cada pessoa, da sua sensibilidade, valores, sentimentos e das tradições culturais em que está integrada.

Tal como acontece com os denominados dias “Nacionais”, ou “Internacionais”, ou ainda, “Mundiais”, sobre um qualquer facto, ou valor, a exemplo de diversos festejos: Natal, Carnaval, entre outros, também a Páscoa, tem o seu simbolismo, considerando-se a festa da alegria, para os crentes da religião católica, a ressurreição de Jesus Cristo, em toda a sua glória e esplendor.

Na cultura e tradição portuguesas, a Páscoa ainda é festejada com imensa alegria e imenso respeito e, entre diversos rituais, como a “queima do Judas”, a visita pascal às residências dos crentes católicos, tem o seu ponto alto e de profunda confraternização, quando a comitiva pascal saúda os donos da casa, asperge a água benta e dá a beijar a Cruz de Cristo cruxificado, a todos os presentes.

Nas aldeias portuguesas, designadamente no Minho, a tradição do compasso pascal vai-se cumprindo, eventualmente, aqui e ali, com menos entusiasmo e alegria, até porque a situação económico-social de milhares de pessoas e de famílias é horrível, na medida em que vivem no limiar da pobreza, com “rendimentos” abaixo do limite mínimo da dignidade humana, e sem que se vislumbre uma oportunidade para melhorarem a sua qualidade de vida e dos respetivos dependentes.

E se é certo que em determinados setores da vida nacional, as estatísticas alimentam alguma esperança, no sentido da melhoria das condições gerais de vida, como por exemplo: o desemprego, cuja percentagem tem vindo, lentamente, a baixar; por outro lado, também é verdade que milhares de pessoas que, aos quarenta e mais anos de idade, saíram do mercado de trabalho, agora não conseguem entrar e que destas, dezenas ou centenas de milhares não recebem qualquer apoio oficial.

É claro que, para este leque de centenas de milhares de pessoas, não se poderá dizer que a Páscoa é a festa da alegria, deixando-se, porém, prevalecer a esperança em “melhores dias” para todos, porque neste período que corresponde à ressurreição de Cristo, tem de haver mais confiança, porque Ele não pode defraudar os seus filhos, obviamente, na perspetiva dos crentes.

O tempo pascal poderá ser utilizado como um período de reflexão profunda, precisamente, entre os dois extremos da existência humana – nascer e morrer – e, neste percurso de vida, analisar: o que foi feito para o bem; o que foi para o mal; o que pode ser melhorado; o que deve ser corrigido e o que tem de se evitar, para se conseguir obter um equilíbrio nas relações interpessoais, envolvendo nestas os princípios, valores, sentimentos e emoções próprios das pessoas bem-formadas, generosas e civilizadas.

Viver a Páscoa como uma festa meramente consumista, com alguma ou mesmo muita ostentação, do TER, em vez da exigência do SER, enquanto pessoa visceralmente humana, é uma atitude que: não alimenta os comportamentos essenciais da esperança; que ignora a fé em relação a um Cristo protetor e amigo das pessoas. A Páscoa deve ser festejada com muito entusiasmo, também com grande humildade e respeito pelos outros, nossos iguais.

Naturalmente que pelo facto de: existirem milhares de pessoas e famílias, só em Portugal, no limiar da pobreza; centenas de milhares de desempregados, sem auferirem qualquer ajuda oficial para terem uma subsistência, minimamente, condigna; de no curto período de três anos, centenas de milhares de jovens, altamente qualificados, bem como imensos adultos, terem de emigrar; haver milhares de pessoas “sem-abrigo”, a Páscoa não deve deixar de ser celebrada, justamente, sem exibicionismos de quem quer que seja, mas sim com moderação, sem magoar aquelas pessoas que o infortúnio da vida tanto as tem fragilizado.

Durante o período da Quaresma, que decorre de quarta-feira de cinzas até ao domingo de aleluia, da ressurreição de Cristo, há muito tempo para se refletir sobre o que em Portugal tem estado mal e o que possa merecer uma avaliação positiva. É tempo de recolhimento, de meditação em vários domínios e contextos, desde logo: religioso, político, social e económico, os quais constituem quatro grandes pilares, entre outros, para se avaliar a qualidade de vida da população e, a partir desta análise, tomarem-se as medidas necessárias para se corrigir o que tem estado errado e melhorar o que de bom possa ter acontecido.

É, justamente, apesar de todas as dificuldades, que nos deveremos mobilizar para, em conjunto com as entidades competentes, resolvermos alguns problemas mais delicados, apoiarmos, inequivocamente, dentro das nossas possibilidades e capacidades, quem mais precisa, porque a Páscoa também é um tempo de solidariedade, de coesão fraterna e de pensamento em Cristo ressuscitado, como único Salvador da Humanidade.

Quando vivenciamos a Páscoa, como uma festa da alegria, obviamente que nos colocamos num registo otimista, com pensamentos positivos e determinados a não nos deixarmos abater pelos insucessos, pelas faltas de solidariedade, pelas deslealdades, pela doença e pela falta de trabalho, bem pelo contrário, assumindo atitudes de esperança e confiança no futuro, que todos temos de ajudar a construir, independentemente da situação pessoa de cada pessoa.

É nesta perspetiva de confiança, de acreditar que é possível sermos melhores uns para os outros, que a imaginação criativa da pessoa humana, a sua inteligência e a determinação em construir um mundo mais tranquilo, mais solidário e mais fraterno, se consegue sair de muitas “crises” que, atualmente, sufocam muitos países, o povo humilde e trabalhador, que não é responsável por tais situações injustas que outros criaram, devido à ganância, ao desejo incontrolado de Poder e de Ter.

Páscoa enquanto festa para todos, não de pobres nem de ricos, embora estes, materialmente, tenham melhores condições e motivos para “festejar” o evento, com abundância, por vezes, estragando e deitando fora tantos produtos que saciariam a fome e agasalhariam centenas de milhares de pessoas, só em Portugal.

Hoje, segunda década do século XXI, mais do que nunca, torna-se extremamente aconselhável passar-se à prática, desde a conceção de medidas favoráveis à erradicação das situações de miséria à consequente aplicação ininterrupta das mesmas: para que todos os dias possa ser Páscoa; para que todos os dias haja solidariedade, amizade, fraternidade; para que todos os dias haja saúde, trabalho, justiça social, paz e felicidade.

Nesta Páscoa de 2015, alguém tem de lançar algumas sementes de esperança, para que as pessoas e as famílias portuguesas, em particular, e as restantes por esse mundo fora, continuem a acreditar que: não estão abandonadas; que existe uma saída; que os jovens têm futuro; os desempregados terão trabalho; os idosos serão respeitados e não voltarão a ser vítimas da espoliação dos seus parcos rendimentos, que lhes são devidos e para os quais contribuíram uma vida inteira de trabalho e, finalmente, para que quem trabalha, lhe seja pago o justo e devido salário, sem cortes nem impostos brutais.

Vamos acreditar que a Páscoa deste ano será o início de um longo e brilhante futuro, para todas as pessoas sem exceção e que, querendo os responsáveis: financeiros, políticos, empresários, religiosos e trabalhadores, não mais haverá fome nem miséria; que os cuidados de saúde cheguem a toda a população; que a educação e formação, ao longo da nossa existência, nos preparará para enfrentar a vida; que a justiça nos protegerá e ajudará a restabelecer a honra, bom nome e dignidade, seja dos inocentes, seja dos arguidos, seja dos condenados.

Comemora-se, uma vez mais, a ressurreição de Jesus Cristo e, com este acontecimento: devemos acordar para as diversas realidades da vida; para o incentivo a colaborarmos nas tarefas solucionadoras de variadíssimas situações anormais, injustas, irregulares e ilegítimas. Ressuscitemos nós, também, para os grandes princípios, valores, sentimentos e emoções que caracterizam e dignificam a pessoa verdadeiramente humana.

Páscoa com Aleluias, com cantares jubilosos, com esperança no futuro da humanidade, para o Bem, para a Concórdia, para a Liberdade, para a Igualdade, para a Fraternidade e para a Paz. Páscoa de Cristo e em Cristo, Páscoa da Humanidade; Páscoa da Vida Redentora.

 

O Presidente da Direção,

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

925 935 946


domingo, 15 de março de 2015

Pai: uma Bênção Divina


Há datas que se comemoram, com mais ou menos ênfase, certamente, em função de vários parâmetros: familiares, culturais, sociais, institucionais, religiosos, políticos, bélicos, entre outros, sem dúvida, mas muitas são as razões, boas ou más, para se recordar um acontecimento, enaltecer uma situação, experienciar um facto importante, enfim, reviver e praticar toda uma simbologia, que nos alerta para determinados princípios, valores e sentimentos.

Praticamente, cada dia do ano, nos contextos pessoal, local, nacional, internacional e mundial, é alusivo a um evento, mais ou menos significativo, que se comemora, com a desejável adequação à respetiva importância desse facto, sabendo-se que, muitos desses dias são vividos com o maior ou menor entusiasmo e intensidade e, também, quantas vezes, com grande eloquência. O “Dia do Pai”, que habitualmente se celebra no dia dezanove de março, pode-se incluir num desses êxitos, que deveria ser festejado com alegria e responsabilidade.

É muito interessante festejar-se o “Dia do Pai”, quer para os filhos, quer para o pai e, em muitas situações, até existe um excelente relacionamento entre eles, de tal forma que várias são as formas de engrandecer o progenitor desde: oferecer-lhe prendas; confraternizar com um bom lanche; uma viagem em conjunto, enfim, o que se pode, e o que o pai gosta, sendo que também há muitas outras situações que nem sequer um abraço se troca, entre os filhos e o pai.

O “Dia do Pai”, que ocorre uma vez por ano, mas que deveria acontecer todos os dias, é um pequeno período, de vinte e quatro horas, para se refletir nos papéis de um e de outros, ou seja: que responsabilidade tem o pai perante os seus filhos; e estes que deveres e direitos têm em relação àquele, porque, em boa verdade, ambas as partes têm compromissos: legais, legítimos e morais a cumprirem ao longo da vida.

Ninguém, minimamente responsável, ignora as principais funções de um pai, independentemente de estar, ou não, integrado na família nuclear: pai, mãe e filhos. Ser pai, para demonstrar à sociedade que já se é “homem”, parece muito pouco e em nada dignifica quem assim pensa e procede, porque nenhum filho “pede para nascer” e, muito menos, escolhe os seus pais.

O pai, afinal, tal como a mãe, não pode, nem deve, desconhecer que ao ser-lhe atribuído este estatuto sublime, tem para o resto da sua existência, uma responsabilidade imensa, que se reparte por diversas preocupações nos domínios dos: afetos, amor, saúde, alimentação, agasalho, educação, formação, instrução para a vida e, já depois do filho estar razoavelmente preparado, para enfrentar o mundo, continuar a apoiá-lo e a defende-lo.

Ser pai, de verdade, com tudo que tal estatuto implica, não é nada fácil, por muito “bonzinhos” que os filhos sejam, na medida em que, existe um conjunto de procedimentos, boas-práticas, exemplos, atualização em todas as matérias que for possível e condições materiais, ao nível económico e financeiro, que garantam o melhor para os filhos, os quais, conforme vão crescendo, física e intelectualmente, compreenderão, os maiores ou menores esforços dos pais em geral; e do pai em particular.

Atualmente, ser pai não é nada fácil, mas ao mesmo tempo, é uma bênção divina: não é nada fácil, porque a sociedade de consumo em que vivemos, torna as pessoas cada vez mais exigentes, reivindicativas e com permanente e elevado grau de insatisfação. As crianças, adolescentes, jovens e idosos não escapam a esta tendência, dir-se-ia, irreversível; mas é uma bênção divina porque milhares de casais, mulheres e homens, desejavam ter filhos biológicos, mas não conseguem.

A condição de pai, indiferentemente de o ser pela via biológica, não é afetada, por quaisquer outras situações, na medida em que o poderá ser pela via adotiva, ou ainda pelo casamento ou união de facto com a mãe, solteira, separada ou viúva, com filhos, porque ser pai é, antes de mais: ser amor, companheiro, amigo, confidente, defensor; ser pai é estar disponível para compreender, ensinar, corrigir, criticar, elogiar, punir e perdoar; ser pai é partilhar, doar, interceder e estar, incondicionalmente ao lado dos filhos.

Infelizmente, o privilégio, a nobreza e a bênção de ser pai, não é assumida por muitos homens, que apenas pensam, irresponsavelmente, numa ou mais aventuras, ditas amorosas, em que a sexualidade é o objetivo principal, sendo realizada, mas nem sempre assumida nas suas consequências e, na maioria dos casos, segundo as estatísticas oficiais, pelo pai que, à primeira dificuldade, abandona a mãe e os filhos e, também se sabe, que nem sequer ajuda nas despesas com aquela criança que não escolheu aquele pai, nem pediu para nascer.

É óbvio que aos filhos também assistem deveres e direitos, de resto, até há um adágio popular que refere o seguinte: “filho és, pai serás; como fizeres, assim receberás”. Certamente que a maioria dos filhos deseja o melhor para os seus pais que, por eles farão tudo o que estiver ao seu alcance, eventualmente, seguindo os exemplos dos pais, em relação aos avós daqueles, contudo, nem sempre os filhos dispõem das melhores condições para ajudarem os pais.

Existem situações em que, simultaneamente, somos filhos, pais e avós, o que envolve três gerações de pessoas vivas, obviamente, verificando-se que o relacionamento entre estes distintos níveis de parentesco é diferente, na medida em que a educação, a formação, os valores, e até as normas sociojurídicas da sociedade, se vão alterando, logo, os procedimentos são afetados, seja pela positiva, seja pela negativa.

Mas importa aqui refletir, mais concentradamente, no pai, porque no dia que lhe é destinado, não se pode, nem deve, ignorar a importância que o pai tem no seio da família, de resto, a exemplo da mãe: ambos necessários; ambos insubstituíveis; ambos com papéis essenciais na formação educacional dos seus filhos e, por via deles, na construção de uma sociedade mais tranquila, mais justa, livre e democraticamente responsável.

E se à mãe cabe: um papel excecional na preparação dos filhos para a vida, designadamente no que respeita à interiorização de determinados princípios, valores e sentimentos, uma espécie de ideologia do bem; ao pai, talvez se ajuste melhor uma tarefa mais pragmática, para passar aos filhos uma objetividade direcionada para resultados práticos e que, ainda por razões culturais, aceita-se que o homem é, eventualmente, mais realista e pouco sonhador, excetuando situações que apontam em sentido contrário.

Pode resultar, daqui, a ideia, segundo a qual, os pais – mãe feminina e pai masculino -, são ambos cruciais na conceção, educação e preparação dos filhos para, por si sós, se integrarem na sociedade multifacetada e realizarem com sucesso, os seus projetos de vida, sendo vital para o êxito dos filhos, também os bons exemplos dos próprios pais.

Neste dia do pai, é da mais elementar justiça, considerar que ao longo dos séculos, ele tem sido, em geral, uma figura tutelar do maior relevo, naturalmente, assumidas com afeto, respeito e firmeza, as suas responsabilidade na condução, justamente, com a mãe, dos destinos dos filhos, não só enquanto estes estão na sua direta dependência, como ao longo da vida, embora, nesta fase, sob a forma de conselhos, porque pai, tal como mãe, é para sempre, e essa nobre condição deve ser valorizada na e pela sociedade.

Reconhecer, neste dia, consagrado ao pai, a importância do seu papel e incentivar as entidades, públicas e privadas, a estabelecerem medidas de apoio – igualmente para a mãe -, no sentido do pai ter condições materiais, mínimas que sejam, para poder criar, educar, formar e preparar para o mundo do trabalho os seus filhos, seria uma forma de se passar do simbolismo do dia, à prática dos atos concretos, que a realidade da sociedade exige.

Neste contexto, uma das medidas que se entende adequada e justa seria atribuir a todos os pais, sem rendimentos, e que tenham filhos a cargo, pensões de alimentação a suportar, um subsídio social para este efeito, com a obrigatoriedade de o pai, nestas circunstâncias, ser sujeito a controlo, e/ou apresentar provas em como aquele apoio financeiro está, de facto, a contribuir para a alimentação, saúde, educação e formação dos seus filhos.

O pai, tal como a mãe, deve ser uma referência para os filhos, em todas as dimensões humanas, que lhe seja possível: pessoal, familiar, profissional, social, religiosa, política, cultural e, em todas elas, ou na maior parte, revelar-se competente e responsável para, desta forma, poder ser respeitado, acarinhado e credibilizado na sociedade, constituindo-se num fator de orgulho para os filhos e, assim, estes terem motivos para seguir o seu exemplo.

Dia do Pai, na ideologia católica, dia de S. José, o carpinteiro, o trabalhador incansável, o marido de Maria, mãe de Jesus. A desejável equiparação, para os crentes, é claro, do Homem-Pai, a S. José, poderá ser um privilégio, mas é fundamental e, seguramente, uma referência que dignifica a condição de Pai, numa sociedade em que a família tanto vem sofrendo por vários motivos, alheios às suas vontades.

O Presidente da Direção,

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
925 935 946

 

domingo, 1 de março de 2015

Cidadania Inclusiva


Elaborar um conceito, uma caracterização ou estabelecer o paradigma de “Cidadania Solidária Luso-Brasileira”, em função de um novo perfil de cidadão democrático Luso-Brasileiro, para o presente século, é tarefa complexa para se realizar, até porque, antes e depois deste trabalho, muitos investigadores, teóricos, pragmáticos e autodidatas se preocupam com o tema e, no futuro, novos e melhores trabalhos surgirão, sem qualquer dúvida.

O novo cidadão iniciará a sua formação nos valores éticos inerentes ao respeito pelos direitos e deveres que a cada indivíduo assistem. Na circunstância, os cidadãos que desde há mais de quinhentos anos se desejam como irmãos, embora nem sempre tal ambição se tenha concretizado em pleno, buscam, uma vez mais, a realização absoluta deste sonho e, justamente, as excelentes relações político-diplomáticas, empresariais e culturais, parecem, finalmente, ajudar a alcançar este objetivo primordial. Por isso, é essencial defender uma conduta ética correta, sem ambiguidades, sem tibiezas, desde logo nos domínios políticos, culturais, educacionais, cooperação e negócios.

Caminha-se para a introdução de profundas mudanças na sociedade mundial. As transformações decorrentes das novas tecnologias: a globalização económica, comercial, industrial e monetária é um dado adquirido; o avanço científico, os problemas ambientais, as tentativas para estabelecer uma nova ordem internacional que, do ponto de vista de algumas potências, pode perverter valores civilizacionais e comprometer o próprio direito internacional, constituem realidades para as quais o novo cidadão se deve consciencializar.

Por outro lado, situações de grande conflitualidade regional, em vários pontos do globo, que afetam, direta ou indiretamente, todas as nações do Mundo, estão a dificultar os esforços desenvolvidos aos mais altos níveis políticos e religiosos, para o restabelecimento de uma paz mundial.

O cidadão cuja estrutura se tem vindo a tentar descrever insere-se já, neste novo mundo e as suas necessidades de adaptação são diferentes daquelas que sentiram os seus antepassados. Cumpre dar satisfação a tais carências, fundamentalmente através da educação, até porque o papel da família, continuando a ser importante, não é suficiente, na medida em que, também neste agente socializador que ela representa, muitas tem sido as alterações.

Reconhece-se que a própria constituição da família já não obedece aos processos tradicionais, a duração do matrimónio clássico é cada vez menor, por razões que se prendem, de entre outras, com projetos profissionais, com um reforço das autonomias individuais, atividades diversas: associativismo, política, entre outras, e com uma partilha exigida de tarefas domésticas, em alguns casais. O papel da família na educação tradicional que no seu seio era desenvolvido, perdeu muito da sua influência e eficácia.

 O processo de formação para a cidadania desenvolve-se livremente nas sociedades democráticas, onde os cidadãos, independentemente da idade e estatuto, recebem a preparação adequada para poderem intervir, consciente e eficazmente, nas suas comunidades, com solidariedade e compreensão

Muito embora se reconheça maior ou menor dificuldade, conforme a idade e a disponibilidade das pessoas, para receber formação cívica, bem como a atitude de resistência à mudança e a tudo o que é novo, é possível defender que a construção da cidadania passa pelo empenho de jovens e adultos, e para que a motivação não falte é necessário investir em recursos técnicos e humanos, que facilitem não só a aprendizagem mas que sensibilizem as pessoas para a fruição deste valor cívico-democrático, tão importante no desenvolvimento e relacionamento social.

O cidadão “luso-brasileiro” que é preferido, no que respeita à construção da cidadania, numa sociedade democrática, poderá não ter idade adulta, condição que não incomoda, porque não é só dos mais idosos, mas também, e cada vez mais, dos jovens que surgem contributos riquíssimos no aperfeiçoamento de ideias, de práticas e dos correspondentes resultados.

A cidadania moderna não se confina (ou não deveria circunscrever-se) a um território, a uma Constituição, a uma cultura, história e etnia. A cidadania que se defende, mais tarde ou mais cedo, deverá caminhar para uma maior abrangência e integração dos cidadãos, seja numa sociedade mais alargada, numa comunidade local, numa instituição, num grupo, qualquer que seja a sua localização geográfica, apenas se observando as leis específicas de cada país. Cidadania Solidária.

O mundo é de todos e não é de ninguém. Cada um nasceu num local que não escolheu previamente, por isso deveria poder optar por quaisquer outros espaços para viver, trabalhar e exercer os seus direitos e deveres de cidadão universal, sem restrições artificiais impostas pelo homem.

O primeiro contributo para a cidadania lusófona cabe pois a este cidadão “luso-brasileiro” que ao longo deste trabalho se tem vindo a idealizar. Um cidadão que jamais perca o rumo da democracia, da cidadania lusófona e que se prepare com entusiasmo, convicção e firmeza para o futuro próximo. O cidadão que todos desejam ser, mas que para alguns se tornará mais difícil se se deixarem comandar por certo tipo de saudosismos, de nostalgias “patrióticas”, de pseudo-supremacia colonialista e rácica.

O novo cidadão que já está sendo formado nos valores da democracia e da cidadania, a vários níveis dos sistemas educativos e da formação profissional, tem o direito de beneficiar do apoio, da compreensão e da solidariedade dos mais experientes, daqueles que tiveram na sua vida de se confrontar com um regime ditatorial e agora com o regime democrático, que por isso mesmo estão melhor preparados para ajudarem nesta tarefa supranacional da construção da cidadania e consolidação da democracia.

O Presidente da Direção,

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
925 935 946