Bem - Vindo

A ARPCA agradece a sua visita!

Contactos


E-mail: arpcaminha@gmail.com

Telemóvel: 925935946

terça-feira, 2 de outubro de 2012

O Homem: Espiritual e Material


É reconfortante ter a capacidade de acreditar que existe mais mundo, para além do mundo físico, na circunstância, o universo dos planetas, astros e outros corpos celestes e, concretamente, o planeta Terra que o homem habita, desde tempos que não consegue localizar e quantificar objetivamente.
A possibilidade, sempre em aberto, para os que acreditam num mundo metafísico, pelo menos diferente daquele que, parcialmente, se conhece em perspetivar uma forma de existência, sobrenatural, inefável, espiritualmente eterna, deve estimular o homem para, enquanto residente na Terra, assumir-se como um ser excecional, dotado de características únicas e superiormente privilegiado, porque algo lhe foi acrescentado, que o distingue, o eleva e dignifica, acima de quaisquer outros seres, pelo menos, tanto quanto é possível conhecer-se, no atual estádio de desenvolvimento da humanidade. O homem, na sua dimensão espiritual, continua a ser um mistério.
O homem (aqui e de ora em diante referido à humanidade, isto é, homem e mulher), um ser inigualável, único, irrepetível, infalsificável, superior, não deve contentar-se, apenas, com as explicações científicas, técnicas e esotéricas, sobre a sua constituição e importância material no planeta em que vive.
Existe mais homem para além do homem físico, biologicamente estudado e conhecido. Há uma outra realidade que as ciências, a técnica e a maquinaria ainda não conseguiram explicar pela linguagem científica, rigorosa e objectiva. Este é o grande drama do cientista, do técnico, do especialista, do político, do religioso, enfim, de toda a humanidade.
A incerteza, o drama, a ansiedade e o mistério que envolvem o ser humano, poderão ser utilizados numa perspectiva positiva, sem receios de quaisquer fracassos, sejam estes quais forem: sociais, cognitivos, éticos, religiosos ou outros. Bem pelo contrário, há uma possibilidade do homem eliminar este sofrimento, provocado pela ignorância acerca do sentido e destino para a sua vida, globalmente considerada, onde se completam as dimensões física e espiritual.
E se quanto à primeira, o conhecimento do seu destino e fim – morte e desaparecimento -, são relativamente conhecidos; no que à espiritualidade se refere, aqui, para os positivistas, materialistas, agnósticos e outros descrentes, as dificuldades em reflectir e aceitar alguns sinais divino-naturais são, praticamente, insuperáveis.
A desorientação que tanto incomoda a humanidade em geral, e os cientistas e técnicos em particular, pode ser ultrapassada se se vencerem certos complexos quanto ao valor de outros conhecimentos, sentimentos e emoções que, estes sim, o homem, ao longo da sua vida, vai vivenciando, relacionando-os, depois, com factos concretos, experimentados durante o percurso material no planeta que lhe foi dado para viver.
O próprio homem, objetivo, mensurável, racionalista, quantitativamente rigoroso, concreto e material, confirma que, em algum momento da sua vida, sentiu ou julgou sentir sensações estranhas, cientificamente inexplicáveis, cuja origem não sabe compreender e as consequências também não foram determinadas, com o rigor da ciência e da técnica. Ficou-lhe, apenas, a verificação da sua incapacidade, da sua impotência para esclarecer e resolver tais situações.
O homem, superiormente iluminado, impulsionado por um outro sentimento, que lhe é exclusivo e constitui um privilégio, vence, finalmente, o drama, a angústia, o sofrimento e a incerteza quando, invocando a ajuda divina, uma sensação de tranquilidade e de esperança o invade e liberta daquele desconforto. É este homem superior, gerado e criado à imagem e semelhança do seu Deus e nos preceitos da sua religião, que se determina em função do ente divino que o justifica.
Aceite-se, então, como proposta de reflexão, a existência deste homem humano, que é pessoa integral, composta pelas dimensões material e espiritual que, fisicamente, está limitado, desde logo, pela própria natureza que o envolve, que não a vence em definitivo, que a aproveita conforme pode e que destruindo-a por um lado, também por ela vai sendo destruído.
Reconhece-se, portanto, a existência deste lado fraco, efémero e mortal do homem. Congregue-se e valorize-se a dimensão espiritual do homem, na sua vida quotidiana, utilizando-se a fé, que pela via espiritual o liga a Deus, de Quem recebe todo o conforto, entusiasmo e vontade para O imitar e prosseguir na caminhada pelo infinito, pelo perpétuo, até encontrar Aquele que o compreende e colabora com toda a natureza: “Longe, portanto, de nos apartarmos do que a fé nos ensina, propomos uma doutrina mais bela, mais grandiosa, mais lógica e racional, que nos dá, por outra parte, uma ideia mais exacta dos atributos de Deus, sobretudo da sua bondade infinita e da sua omnipotência soberana.” (BUJDANDA, 1956: 191).
A humanidade alcançará a Paz e a Felicidade pela fé, pelas boas-práticas religiosas, no diálogo inter-religiões, no respeito pelo Deus universal, através das divindades invocadas por cada povo, por cada cultura, por cada pessoal humana.

Bibliografia

BUJANDA, Jesus, S.J., (1956). A Origem do Homem e da Teologia, Edição Portuguesa, Porto: Livraria Apostolado da Imprensa.


O Presidente da Direção da ARPCA,

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Atitude do Espírito Religioso


A supremacia do homem no reino animal em que se integra, num mundo planetário, entre outros mundos, não totalmente conhecidos, revela uma situação privilegiada que nenhum outro ser, pelo menos ao nível dos actuais conhecimentos, dispõe nas mesmas condições, precisamente porque o homem está dotado de capacidades únicas, difíceis de identificar, cientificamente, noutras espécies.
Pensar, construir abstratamente, realizar concretamente, num espaço e num tempo, prever resultados, inovar, vivenciar sentimentos e experiências emocionalmente sentidos em si próprio, com algum conhecimento de causa, projetar-se idealmente no futuro, no tempo e na transcendência espiritual, pela fé e pela crença, mais ou menos profundas, revelam faculdades exclusivas que o orientam e dão sentido à sua vida. Faculdades excecionais que tornam o homem único e superior.
Estas faculdades inatas, específicas do ser humano, como que poderiam ser encimadas pela dimensão religiosa, que, em situações-limite, se revela na maioria dos seres humanos. A visão do mundo planetário e a constituição do universo não estão, suficientemente, explicados. Sente-se a necessidade do recurso à projeção para lá do infinito, no sentido de se encontrar uma explicação para o destino final da vida espiritual de cada pessoa.
A ciência não responde a esta questão, que se torna angustiante quando o homem se aproxima do seu fim físico; a técnica não produziu, ainda, equipamentos, instrumentos, tecnologias e recursos para a componente espiritual se preparar para uma outra existência, seja extra-corpo e/ou intra-outro corpo, pela via de uma possível reintegração (reencarnação) nesse outro novo ser, ao nível da espécie humana.
Que fazer, então, com o espírito humano? Quem, como e quando se trata da preparação do espírito, já que cientifico-tecnicamente não se afigura viável? A resposta parece difícil para muitos daqueles que apenas consideram o materialismo corporal do homem.
Os que não acreditam na componente espiritual, na possibilidade de uma outra existência inefável, imaterial, transcendental e eterna, vão acabar os seus dias, enquanto conscientes, com uma profunda frustração, porque para eles será mesmo o fim.
Como alimentar a componente espiritual poderia ser o problema, não o é, todavia, para os crentes numa outra vida, através das práticas e sentimentos religiosos. Então a religião poderá, entre outras, eventualmente possíveis, ser a solução para uma vida feliz e em paz.
Preparar o espírito humano para uma vida transcendente, num tempo e um espaço que, fisicamente, se ignora, pressupõe sentimentos e atitudes que o ser humano, consciente e crente, sente e pratica pela religião, esta considerada como: “Um sistema de símbolos que funcionam para estabelecer disposições de espírito, fortes, persuasivas e duradouras e motivações nos homens, formulando conceitos de ordem geral da existência e revestindo esses conceitos com uma tal aura de realidade que as disposições de espírito e as motivações parecem mesmo realistas.” (GEETZ, in HOBEL & FROST, 1976:353-53).
A perspectiva antropológica do conceito religião não indica qual o destino do espírito, nem como prepará-lo para uma outra existência extra-corpo físico. Igualmente se verifica quanto ao comportamento do crente, suas atitudes face à divindade em que acredita.
Os valores que, antropologicamente, são considerados característicos das atitudes do crente – submissão e reverência –, em nada diminuem a dignidade da pessoa humana total, integralmente considerada: corpo e espírito, bem pelo contrário, elevam o crente a um estatuto supra técnico-científico e, consequentemente, à sua própria felicidade, tal como a deseja na vida física e para além desta.
A submissão respeitosa, voluntária e sempre disponível para com Deus, constitui uma faculdade que, eventualmente, não está acessível aos não-crentes e, por outro lado, a reverência que é devida aos entes sobrenaturais e divinos, na circunstância, Deus, também em nada diminui a pessoa humana, fisicamente considerada, na medida em que se reverencia o que se respeita, ama e adora, passando esse ente divino a fazer parte da constituição religiosa do ser humano crente e temente.
A tranquilidade que o espírito submisso e reverente para com o Deus em que acredita, proporciona, constitui um excelente processo para se chegar à felicidade e à paz, porque se o espírito não está amargurado, arrependido e triste, porque ele tem a consciência dos deveres cumpridos para com o seu Deus e, por extensão analógica, para com o seu próximo e igual, considerado este criado à imagem e semelhança de Deus, então a felicidade e a paz são possíveis porque, competentemente, se desenvolveram as atitudes adequadas: submissão e reverência, ambas com dignidade e convicção.

Bibliografia
 
HOEBEL E. Adamson e FROST, Everett L. (1995) Antropologia Cultural e Social, Trad. Euclides Carneiro da Silva, 10ª Ed. São Paulo: Cultrix

O Presidente da Direção da ARPCA,

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo




domingo, 19 de agosto de 2012

Direitos Humanos: Alicerces da Dignidade


«Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.» (DUDH, Artº 1º)
«Quaisquer que sejam as técnicas, para a comunicação e relacionamento interpessoais, elas serão ineficazes se as relações humanas, antes de todas as outras: profissionais, comerciais, políticas, religiosas, entre outras, não assentarem em princípios de transparência, de verdade e de respeito pelo outro.» (Lenira - Cap.4)
«Apelo a todos os governos que protejam as suas crianças, de modo a estas crescerem felizes, porque estas crianças serão os cidadãos de amanhã…! Mas não apelo só aos governos, apelo também a todos nós, pois todos temos obrigação de tratar bem as nossas crianças e de denunciar qualquer “violação” dos seus direitos que tenhamos conhecimento.» (Cecília - Cap. 06)
A defesa de uma sociedade assente nos valores conjuntos das várias comunidades, espalhadas pelo mundo, como que numa simbiose para o bem, revelar-se-á uma posição plausível, naturalmente que não a única. Defender valores, princípios e condutas ajustadas aos mesmos, em consonância com os objetivos para a paz, compreensão, tolerância e solidariedade, constitui um comportamento que desde o berço pode ser transmitido. (Diamantino - Cap. 11)
«É certo, desde já, que reconheço existir uma profunda preocupação, nas sociedades humanas, pela diferenciação do humano, em relação aos demais seres, como também é seguro a persistente luta do homem para ir vencendo os diversos obstáculos que a natureza lhe coloca, como, ainda, as crescentes dificuldades que precisa ultrapassar, resultantes da sua própria complexidade, possivelmente, aquelas que diretamente o afetam na sua alegada superioridade.» (Ermezinda - Cap. 17)
«O adulto sem duvida que cresce, como pessoa, como trabalhador, como pai ou mãe de família, como amigo, já que as suas capacidades, a formação que lhe foi facultada, a sua história de vida e esforços serão, agora, reconhecidos com toda a justiça do mundo. (…) Por tudo isto e muito mais que ficou por dizer, considero que a iniciativa “Novas Oportunidades” e a “Declaração Universal dos Direitos Humanos” só podem mesmo “andar de mãos dadas». (Liliana - Cap. 23)

O Presidente da Direção da ARPCA,

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo


 

domingo, 5 de agosto de 2012

A Necessidade da Autoridade


É frequente as pessoas invocarem a Autoridade, a propósito dos mais diversificados acontecimentos, sendo muito usual aplicar o termo no seu sentido “policial”, com o objetivo de se fazerem cumprir as Leis, no respeito pelos direitos de cada um e, então, genericamente, a Autoridade seria a capacidade de impor e influir noutros, podendo ser pessoal ou real, respetivamente, se de um indivíduo ou coletividade; ou de um documento ou das diversas instituições. (Cap. 1)

É ao nível das sociedades que integram o conjunto das nações que se verifica uma organização mais complexa, mas que, em qualquer dos casos, sejam grupos humanos em subdesenvolvimento, sejam comunidades estruturadas para a vida real orgânica, sejam associações resultantes da vontade dos indivíduos, existe sempre uma Autoridade, à qual os grupos estão submetidos e representando aquela o interesse coletivo, tendo por função realizar os fins sociais, na observância da sua especificidade. (Cap. 2)

A Autoridade e o Direito devem caminhar em perfeita consonância, porque se para o cumprimento das normas jurídicas e, por conseguinte, da ordem e disciplina públicas é necessária a intervenção da Autoridade e de seus agentes, ainda que numa perspectiva pedagógica, tolerante, controlada, coerente e firme, não é menos verdade que o suporte fornecido pelas normas jurídicas é imprescindível, para uma atuação legalista e legítima. Seguramente que a legalidade deve preocupar-se com a eticidade, sem a qual poderá redundar em tirania, em abuso de poder, em discriminação. (Cap. 3)

Se o Direito é uma consequência da sociedade organizada, a Justiça resulta da aplicação do Direito nessa mesma sociedade, nesta intervindo a Autoridade, como garante primeiro dos direitos, deveres, liberdades e garantias dos cidadãos, por isso toda a sociedade que não se apoie num estado de Direito Democrático e de Justiça, muito dificilmente poderá progredir em harmonia, tranquilidade, segurança, paz e felicidade, na construção de uma humanidade mais bondosa, mais interrelacionada, mais solidária, enfim, mais justa. (Cap. 4)

O Agente da Autoridade deve solidificar as relações “Eu-Tu” para uma ampliação do “Eu-Nós”, nunca esquecendo que a melhor forma de homenagear o cidadão, o Outro, o Tu, é, precisamente, pedir-lhe a sua colaboração, o seu saber, reconhecer-lhe o seu valor e os seus direitos, a par dos respetivos deveres, como é óbvio. No fundo, e em observância do papel que a cada um cabe, a verdadeira “máxima” que se deve ter presente é aquela que nos diz: “Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti”. (Cap. 5)

Os Agentes da Autoridade, qualquer que esta seja, devem possuir formação humana no sentido antropológico mais profundo, sem as preocupações materialistas, porque o homem não é só matéria mas muito mais do que isso, ele é espírito, detentor de princípios, de valores de projetos e portanto combatente pela dignidade humana, pela defesa dos direitos e pelo cumprimento da Lei.

É para este projeto, para esta sociedade que se devem formar todos os cidadãos em geral e, particularmente, aqueles que vão exercer uma determinada Autoridade. Uma Autoridade que, verdadeiramente, comungue os valores do humanismo, da compreensão, da tolerância e da firmeza, porque, afinal, todos os seus agentes, provêm dos mais diversos estratos sociais: dos mais humildes e desfavorecidos, aos económica e intelectualmente mais favorecidos. (Cap. 6)

O Presidente da Direção da ARPCA,

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo



 

domingo, 1 de julho de 2012

S. Bento: Pescador de Homens

Há cerca de um ano fui confrontado com um repto que me deixou muito aflito e amedrontado. O desafio que me foi colocado primeiro, por um colega de trabalho, depois confirmado e reforçado por uma instituição de imenso prestígio local e nacional, representativa de valores religiosos que ultrapassam a minha condição de simples mortal, de um pecador que, eventualmente, nem seria merecedor de tal privilégio por parte de quem o convocou para esta nobre missão.
Com efeito, o meu colega Dr. Rui Ramalhosa, teve a gentileza de me sondar sobre a possibilidade de eu escrever "umas coisas", sobre a vida e obra de S. Bento de Seixas, conjugadamente com a história da Confraria do venerando Santo, no contexto de uma população residente e emigrante que, convictamente, professa a sua fé em S. Bento, tendo, ainda, em atenção quatro grandes dimensões que os escritos deveriam abarcar: religiosa, histórica, profana e filosófica.
Confesso que fiquei, num primeiro momento, bastante confuso e, desde logo, fui invadido pelo receio de que tal exigência poderia ser incompatível com as minhas capacidades, para além de poder vir a resvalar para algum tipo de profanização o que, de todo, eu teria o dever de evitar. Além do mais, eu nunca tinha escrito nada com a exigência, rigor e fé a que ficaria obrigado, caso aceitasse a "provocação" que então me era dirigida.
Claro que fiquei a pensar no convite, para mim, muito aliciante e, antecipadamente, gratificante, porque eu também sou crente, acredito na santificação de S. Bento, por Quem manifesto respeito e crença, apelo à sua intercessão, nos momentos de maior aflição na vida.
Entendi, ainda, este repto como uma oportunidade para honrar e dignificar S. Bento, por tudo o que Ele tem feito por mim, pela minha família e pelas pessoas minhas amigas, para as quais e sempre que julgo necessário, peço proteção, orientação e sorte na vida. Tenho sido atendido, por isso, também tenho de retribuir.
Este foi um primeiro motivo para amadurecer a decisão de aceitar o convite que, amavelmente, me foi, posteriormente, endereçado por todos os membros da Confraria de S. Bento de Seixas, numa reunião para o efeito realizada.
Aconselhei-me, entretanto, com algumas pessoas da minha inteira confiança: família, que rejubilou com este honroso convite e me entusiasmou a aceitar a tarefa. Tive o cuidado de, numa postura ético-cultural, conversar com outro colega da escrita que, numa atitude de grande humildade e solidariedade me deixou à-vontade para iniciar o "trabalho". Troquei, igualmente, impressões com colegas de trabalho que, desde logo, não só me incentivaram como se disponibilizaram para me ajudar no que fosse preciso. Estavam reunidas as condições para avançar.
Desde já devo agradecer o grande apoio que me foi dado pelos membros da Confraria de S. Bento, ao me disponibilizarem toda a documentação que tinham em seu poder, pelo acompanhamento que ao longo do trabalho me deram, de forma muito compreensiva, solidária e com permanente incentivo. Sem esta ajuda, provavelmente, não chegaria a esta cerimónia. A estes ilustres membros da Confraria de S. Bento de Seixas, aos irmãos e a todos os seixenses, muito obrigado.
Uma palavra de grande gratidão devo-a ao Senhor Padre Ricardo, digníssimo Pároco de Seixas que me honrou com um prefácio que, na verdade, ultrapassou todas as minhas expectativas, porque não serei a pessoa assim tão merecedora de elogios que, apesar disso, sei serem sinceros, mas devo confessar que, a sua análise psicológica e religiosa, a meu respeito, corresponde à verdade. Já li imensas vezes o este generoso prefácio que a partir de então, passa a ser uma referência na minha vida que terei muito orgulho em apresentá-la em quaisquer circunstâncias. Muito Obrigado Senhor Padre Ricardo.
Penso que é importante realçar, aqui e agora, a adesão manifestada pelas mais diversas personalidades da nossa vida societária. Registo com muita emoção e orgulho a presença de pessoas que, desempenhando várias e elevadas funções no seio da nossa comunidade local e nacional, também me fazem a gentileza de serem minhas amigas e que eu, humildemente, procuro retribuir. É gratificante sabermos que temos amigos, que eles respondem positivamente aos nossos apelos, nos bons e nos maus momentos da vida.
Algumas, muito breves, referências ao "livrinho" que foi lançado no dia 7 de Janeiro de 2012. Nele coloquei, sem qualquer preconceito, toda a minha sensibilidade religiosa, as minhas dificuldades existenciais, as quais e invocando a sabedoria de um dos maiores filósofos de todos os tempos, Sócrates, que tendo vivido entre os anos 469-399 antes de Cristo, portanto há mais de 2.400 anos, manifestava dúvidas, aparentemente, tão simples como estas: "Quem sou?”, “De onde venho?”, “O que faço Aqui?” e “Para onde vou?". Que cada pessoa reflita profundamente e dê a resposta.
Hoje, em pleno século XXI, não temos a certeza de que a Ciência, a Técnica, a Tecnologia e todos os avanços cognitivos do homem, possam dar respostas concretas, objetivas, observáveis e validadas àquelas interrogações! O HOMEM continua a ser um mistério para si próprio. Ele vive atormentado porque não consegue controlar tudo o que está à sua volta, nem sequer consegue saber qual será o seu fim último, e quando este vai ocorrer.
Em todo o caso, este mesmo HOMEM, insatisfeito, porque ainda não totalmente realizado, ele continua a considerar-se um ser superior, concebido à imagem do seu Criador, independentemente das suas convicções religiosas, que, no presente livrinho, houve o cuidado de respeitar. É possível que, numa situação-limite, de vida ou de morte, todos nós tenhamos, um pensamento, dirigido a Deus suplicando-Lhe proteção. Não tenhamos vergonha, nem preconceitos, com os valores religiosos e com eles recorrer à Divindade.
É este HOMEM que, neste livrinho, se invoca, consubstanciado na figura insigne de S. Bento, também este com todas as suas dificuldades e incompreensões, até dos próprios monges que ele sempre defendeu, ensinou e repreendeu, quando tinha de o fazer. Também Ele um homem imperfeito, porém, determinado a seguir o caminho de Deus, um exemplo para a humanidade, padroeiro da Europa Livre e Democrática.
Entretanto e antes de concluir, tenho o dever de dizer que, enquanto crente, estou sempre disponível para colaborar com as instituições religiosas, para a realização de trabalhos desta natureza, em prol da defesa de valores que, de alguma forma e nas mais diversas circunstâncias da vida, por vezes, todos comungamos, com mais ou menos Fé, mas com a esperança na obtenção de soluções que contribuam para a resolução dos nossos problemas.
Quero com isto afirmar que terei muito gosto em trabalhar com as pessoas responsáveis pelas Paróquias, Comissões Fabriqueiras, Confrarias, Juntas de Freguesia e outras instituições, ligadas à divulgação e preservação da nossa cultura, dos nossos valores, das nossas tradições, especialmente aquelas de cariz religioso. Penso que Religião, Razão, Ciência, Tecnologia, Ordem e Progresso não são incompatíveis, pelo contrário, complementam-se e dão ao ser humano a sua dimensão superior.
Não poderei deixar passar esta oportunidade para vos confessar que estou muito empenhado em contribuir para que o nosso concelho continue a ser uma referência nacional, nos diversos domínios que mais o caracterizam: o turismo religioso, com as suas festas e romarias, dimensões sagradas e profanas, a gastronomia, as belíssimas paisagens: desde o maravilhoso Rio Minho (ao qual nos referimos neste livrinho que foi de lançado, com um artigo intitulado: "A Lenda do Rio Minho"), a nossa orla marítima, todo o contexto da serra D'Arga, o artesanato, as tradições seculares das desfolhadas, matança do porco, jogos populares, a pesca, a caça, a agricultura de minifúndio, enfim, um manancial a não se perder, que constitui o nosso mais valioso património natural e construído.
Em consequência e na qualidade de cidadão, natural, criado e residente no Concelho de Caminha, também tenho o dever cívico de dar o meu contributo, para engrandecer, ainda mais, este recanto minhoto e manifestar a disponibilidade para prestar a minha cooperação sincera e empenhada.
Concluo esta minha breve intervenção com um muito e sincero muito obrigado a todos os que, cada um à sua maneira, me ajudara a realizar esta obra, a qual, de ora em diante, passa a ser de todos nós; pedir desculpa por, certamente, não corresponder às vossas expectativas, mas também garantir-vos que fiz o melhor que sabia e podia; solicitar-vos que adquiram o livrinho, que está a ser vendido pela Confraria de S. Bento de Seixas, porque o produto reverterá, integralmente, para Confraria de S. Bento; por fim, formular um pedido a S. Bento para que nos ilumine a todos nós, que interceda por nós e nos proteja.
Durante os festejos em honra de S. Bento, penso que é uma boa altura para adquirirem uma recordação sobre S. Bento, de Seixas e, desta forma, ajudarem, ainda mais,  a Confraria a realizar os muitos melhoramentos que têm projetados.
Que 2012 e seguintes, por muitos e muitos anos, vos proporcione muita saúde, trabalho, felicidade e paz. Obrigado.(http://www.caminha2000.com/jornal/n570/seixas.html)

O Presidente da Direção da ARPCA,

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo



 

domingo, 3 de junho de 2012

Cidadão-Político em Democracia


O exercício da atividade política é tanto mais nobre quanto mais e melhor resolver os problemas, de vária natureza e impacto. Compete, pois, ao Cidadão-Político estar bem preparado, técnica, cultural e axiologicamente para solucionar, com equidade e eficácia, as múltiplas situações que mais diretamente afetam os grupos mais vulneráveis e fracos, do ponto de vista sócio-económico.
Cabe ao Cidadão-Político o privilégio de contribuir para uma sociedade mais humana, justa e solidária, dando ele os primeiros e nobres exemplos, inclusivamente, abdicando dos benefícios que a maioria que o elegeu ou lhe proporcionou um cargo honroso e rentável, não tem.
Exige-se do Cidadão-Político a humildade e compreensão para interpretar e resolver situações que são da sua área de competência e decisão; espera-se do Cidadão-Político a defesa intransigente dos mais elevados valores da Democracia: Liberdade, Igualdade e Fraternidade, que desde a Revolução Francesa de 1789 se vêm proclamando, naturalmente agora, adaptados às novas realidades de um mundo mais complexo na heterogeneidade de culturas, valores e interesses.
Finalmente, pede-se ao Cidadão-Político que seja competente na elaboração das leis e respetiva aplicação, no sentido de contemplar as camadas da sociedade que vivem com imensas dificuldades em vários aspectos, principalmente no acesso aos bens e serviços imprescindíveis à vida com dignidade, conforto e segurança, porque tal como qualquer profissional, também o político deve estar bem habilitado no âmbito das suas funções, desde logo: “O domínio do conhecimento e sua aplicação útil, com propriedade, senso de oportunidade e habilidade, representa um dos fatores mais importantes da competência pessoal.” (RESENDE, 2000: 69).
Independentemente da defesa das capacidades que integram a constituição genética do indivíduo, seguramente que ninguém nasce preparado para o exercício de uma determinada atividade/profissão, o que se consegue pela educação, formação, treino e experiência de vida. O Cidadão-Político não constitui exceção a esta regra da natureza, por isso, ele, tal como qualquer outra pessoa, vai ter que, humildemente, sujeitar-se às aprendizagens específicas, praticar e dar provas, ao longo do exercício do cargo político com responsabilidade, competência e ética.
Nesse sentido, ao aceitar exercer funções políticas deve oferecer garantias de que se esforçará por adquirir os conhecimentos, a experiência e disponibilidade que a sua área de intervenção exige, porque de contrário, será mais um a seguir orientações, quantas vezes, contra os interesses daqueles que o elegeram e nele depositaram confiança.
O princípio serve, igualmente, para o cidadão que, por nomeação política, vai desempenhar funções para as quais não tem, ainda, a melhor preparação. É que para além da competência técnico-administrativa, existe a ética política que, posteriormente, se transforma numa deontologia profissional, que em nenhuma circunstância deveriam ser violadas.
O Cidadão-Político quando no exercício de uma atividade política tem de ter sempre presente e demonstrar, pelas boas-práticas, um espírito de cidadania, precisamente no que respeita à observância dos mais elementares direitos e deveres, assumindo, sempre, em primeiro lugar, o cumprimento dos deveres, para que a legitimidade da reivindicação dos direitos seja, ainda, mais evidente.
Por outro lado, não pode ignorar que todas as suas decisões e intervenções têm um objetivo bem determinado: o interesse público, o bem-comum, a felicidade e bem-estar do povo. Além do mais e numa conceção alargada de cidadania, esta: “Diz respeito à relação do indivíduo com o bem-comum e não só com o Estado, que não é senão um instrumento desse bem-comum. A resistência à opressão é legítima se o Estado não pretende o bem-comum, se viola os direitos naturais do homem. (Direitos Naturais de liberdade, segurança e propriedade). Ele é mesmo uma expressão particularmente preciosa da cidadania, o guarda da democracia.” (MADEC & MURARD, 1995: 90) 
A condição ou qualidade do político, este no activo e no exercício de funções políticas, no verdadeiro espírito de cidadania, é enriquecida com a função de cidadão participante, e nesta circunstância, ou seja: “Na prática, o direito de participação pressupõe a reunião de quatro condições: a autonomia da vontade, a nacionalidade, o domicílio, o pagamento de impostos.” (IBID, 91).
Resulta que o Cidadão-Político tem responsabilidades acrescidas e, por via delas, a sua formação sociopolítica não pode ser ignorada e muito menos descurada, constituindo um perigo para a cidadania democrática, a seleção de candidatos e/ou a nomeação de pessoas para cargos políticos, sem reunirem condições para as respetivas funções, porque é inadequado que por parte do eleito e/ou do nomeado não haja um passado que revele esforço notório, em diversas atividades sócio-profissionais, desejavelmente afins, para, rapidamente, se integrar num trabalho que tenha por objetivos o bem-comum.
O princípio de exigência, rigor e competência vale, obviamente, para todas as funções em organizações não-governamentais e quaisquer outras que beneficiem dos apoios financeiro, logístico e técnico-estatais, na medida em que são financiadas, pelo menos em parte, com os dinheiros públicos, provenientes do sacrifício do povo, que paga impostos, logo, merecedor de uma governação de excelência, seja no sector público, seja nas instituições beneficiárias dos subsídios do Estado.


Bibliografia

RESENDE, Enio, (2000). O Livro das Competências. Desenvolvimento das Competências: A melhor Auto-Ajuda para Pessoas, Organizações e Sociedade. Rio de Janeiro: Qualitymark

MADEC, Annick; MURARD Numa, (1995). Cidadania e Políticas Sociais, Trad. Maria de Leiria. Lisboa: Instituto Piaget

O Presidente da Direção da ARPCA,

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

 

domingo, 13 de maio de 2012

Deus mais Religião, igual a Felicidade e Paz

Um longo caminho é necessário percorrer, limitado por duas grandes linhas mestras: Deus e Religião para, na tranquilidade do espírito sereno, se encontrar, finalmente, a felicidade, aqui e neste estádio da vida madura, experiente, sábia, prudente, sentida e irrepetível do homem, entendida como o supremo bem-estar da pessoa humana neste mundo.
Pela religião se poderá chegar a Deus, quer através das boas-práticas religiosas, como a caridade, a solidariedade a lealdade, no sofrimento e na dor, a tolerância para com aqueles que professam religiões diferentes e o próprio diálogo inter-religiões, porque: “Todas as religiões éticas superiores – a dos profetas de Israel, o Zoroastrismo, o Cristianismo – impuseram-se uma tarefa comum. Aliviam o fardo insuportável do sistema tabu; mas revelam, por outro lado, um sentido mais profundo de obrigação religiosa que, em lugar de ser uma restrição ou compulsão, é a expressão de um novo ideal positivo de liberdade humana.” (CASSIRER, 1972:173-74)
Para os crentes, Deus existe e é adorado. Este fenómeno religioso, objectivado nas práticas, rituais e dogmas, constitui uma realidade que nenhum poder terreno, nenhuma lei positiva, nenhum cientista ou técnico conseguem eliminar.
As situações-limite são disso mesmo a prova evidente da existência e interiorização do fenómeno que, do pluralismo panteístico se pode destacar, na civilização ocidental, a sua vertente, inscrita no Deus dos Cristãos, aqui consignado no Cristianismo: “No decurso da sua fase judaica, o Cristianismo pôde julgar-se a Religião particular de um povo. Mais tarde, submetida às condições gerais do conhecimento humano, pôde imaginar que o mundo era pequeno de mais à sua volta. No entanto, mal se constitui, tendeu sempre a englobar nas suas construções e nas suas conquistas a totalidade do sistema que ele chegava a conceber. Personalismo e Universalismo.” (CHARDIN, 1970:324)
A felicidade e a paz, por esta via, são acessíveis ao homem, ainda durante a sua vida biológica, desde que ele consiga caminhar dentro dos limites estabelecidos pelo Deus da sua fé e pelas boas-práticas da religião que professa, porque acabará por conduzir à tranquilidade espiritual que provoca, justamente, uma sensação de bem-estar, de equilíbrio e de harmonia.
E se Cristo, enquanto Deus dos cristãos, é a referência que na cultura ocidental se vem defendendo, igualmente o Deus de outras grandes religiões deve ser reverenciado por aqueles que professam essas mesmas religiões.
A felicidade e a paz dos povos passam, necessariamente, pelo diálogo inter-religiões, pela compreensão dos valores de cada uma, no respeito, na submissão e na adoração que poderão conduzir, num tempo ainda não previsto, a um Deus único e universal de toda a humanidade.


Bibliografia

BÁRTOLO, L. R. de Diamantino, (2011). S. Bento, Pescador de Homens. Confraria de S. Bento, Homenageia a Fé dos Seixenses. 1ª Edição, Lisboa: Chiado Editora. (ISBN: 978-989-697-400-8; Depósito Legal nº 336211/11)
CASSIRER, Ernest, (1972). Antropologia Filosófica. Ensaio Sobre o Homem. Introdução a uma Filosofia da Cultura Humana, Trad. Dr. Vicente Félix de Queiroz. São Paulo: Editora Mestre Jou.
CHARDIN Pierre Teilhard de, (1970). O Fenómeno Humano, Trad. Portuguesa de Leal Bourbon e José Terra, 3ª. Ed., Porto: Livraria Tavares Martins.

O Presidente da Direção da ARPCA,

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo